Em uma medida sem precedentes, a Colômbia anunciou hoje que vai submeter ao detector de mentiras os militares envolvidos em dois incidentes que provocaram 16 mortes e geraram escândalo dentro do Exército.
É a primeira vez que militares colombianos serão submetidos ao equipamento por causa de investigações disciplinares internas. Os resultados não poderão ser usados como prova judicial. "O Ministério da Defesa pedirá aos integrantes da unidade do Exército envolvida que se submetam à prova do detector de mentiras. Os resultados desse exame serão colocados à disposição das autoridades judiciais", disse um comunicado.
Embora o detector já seja usado em entrevistas com aspirantes das Forças Armadas, ele nunca havia sido usado para apurar irregularidades, segundo uma fonte do ministério.
A Procuradoria Geral e a Justiça militar estão investigando pelo menos nove militares pela morte de cinco civis, inclusive um bebê de seis meses, durante uma operação nas montanhas do centro do país.
Inicialmente, os militares envolvidos disseram que mataram os civis após confundi-los com guerrilheiros durante uma noite de neblina, e que os disparos teriam sido feitos a mais de 20 metros. Mas recentes exames de balística comprovaram que pelo menos uma das vítimas foi alvejada a 60 centímetros, o que indica uma execução sumária.
Outros militares são investigados por um suposto incidente de "fogo amigo" ocorrido em março, no qual sete policiais e quatro civis morreram, no sul do país. Testemunhas e promotores denunciaram recentemente que os militares executaram os policiais e os civis, manipularam a cena do crime e depois relataram o incidente de "fogo amigo" a seus superiores.
Os incidentes provocaram um escândalo dentro dos quartéis e atraíram novas críticas de entidades de direitos humanos contra os militares, frequentemente acusados de cometerem abusos em meio à guerra civil colombiana.