O governo colombiano disse que o chefe dos esquadrões de ultradireita do Colômbia, Carlos Castaño - desaparecido após uma tentativa fracassada de assassinato por parte de paramilitares rivais - deve aparecer ``vivo ou morto'' para que a negociação de paz possa avançar.
As condições e a localização de Castaño, 38 anos, são um mistério desde a última sexta-feira, quando ele escapou ileso de um ataque de paramilitares rivais, um feito que colocou em dúvida o futuro da negociação de paz entre o governo e esses grupos armados ilegais que também combatem a guerrilha esquerdista.
Os familiares e colaboradores próximos de Castaño asseguram que ele saiu vivo do ataque, mas não sabem de seu paradeiro. Outros especulam que ele está negociando com os Estados Unidos para entregar-se ou que morreu. O embaixador dos EUA na Colômbia negou que o governo norte-americano esteja em contato com Castaño.
Nos últimos anos, ele permaneceu na clandestinidade e é um foragido da Justiça colombiana, que o acusa de dezenas de crimes como massacres, assassinatos e sequestros. ``Acreditamos que os paramilitares têm que esclarecer ao país, e não somente ao governo, o que aconteceu, sem deixar a menor dúvida'', disse a jornalistas o vice-presidente Francisco Santos.
``E isso quer dizer que o senhor Castaño apareça, vivo ou morto, mas sobretudo têm uma grande responsabilidade com a comunidade internacional e com todos os cidadãos colombianos'', acrescentou.
Em julho de 2003, o presidente Álvaro Uribe iniciou uma negociação com os paramilitares liderados por Castaño, com o objetivo de que cerca de 20 mil combatentes desses grupos armados ilegais deponham suas armas e se desmobilizem antes de dezembro de 2005.
Antes do ataque contra Castaño, ao qual sobreviveram dois de seus guardas - que ficaram feridos e se entregaram às autoridades - as negociações de paz já enfrentavam dificuldades.
De acordo com fontes do serviço de segurança, a eventual rendição do líder paramilitar poderia revelar dados importantes sobre a indústria da cocaína na Colômbia, que financia os aramilitares e os guerrilheiros.
Castaño fundou com seu irmão Fidel, já morto, as Autodefesas Unidas da Colômbia, agora a maior organização paramilitar do país, para combater as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que sequestraram e assassinaram o pai deles.