A Colômbia se recusa a integrar, por enquanto, o Conselho Sul-Americano de Defesa proposto pelo governo brasileiro. Em coletiva de imprensa, no Itamaraty, o presidente colombiano Álvaro Uribe contou que deixou clara sua posição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião extraordinário de chefes de estado e de governo da União de Nações Sul-americanas (Unasul), nesta sexta-feira. Os dois presidentes também conversaram durante almoço no Itamaraty.
– Temos um problema de terrorismo muito grave que tem gerado dificuldades políticas com alguns governos de povos irmãos que espero que sejam superados – disse Uribe à imprensa.
Ele explicou que a resistência colombiana não se deve a outros países ou pessoas do conselho – como o presidente venezuelano Hugo Chávez. Mas a diferentes posicionamentos, dentro da região, quanto à atuação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). “O tema não é de pessoas. Algo deve ser ensinado pelo debate, que é o respeito às pessoas”
A Colômbia classifica o grupo como terrorista. Chávez, por sua vez, fez um apelo ao continente para que reconheça a guerrilha como força beligerante. O próprio Brasil não reconhece as Farc como terroristas pois segue classificação da Organização das Nações Unidas (ONU), pela qual o único grupo definido como terrorista, no mundo, é a Al Qaeda.
Uribe negou, no entanto, que a adesão da Colômbia ao conselho dependa do reconhecimento, pelos demais países, das Farc como grupo terrorista.
– É um ponto de reflexão ao diálogo. A Colômbia não é um país de imposição, mas sim de persuasão – disse.
Apesar das divergências, Uribe disse que a Colômbia participará do grupo de trabalho, criado nesta sexta-feira pela Unasul para analisar a proposta brasileira de criação do Conselho de Defesa. O grupo, integrado pelas 12 nações da Unasul, deverá apresentar um projeto final para o órgão regional de Defesa em 90 dias.