A política de pressão sobre a Organização dos Estados Americanos (OEA), liderada pela diplomacia brasileira, levou a Colômbia e o Equador a um acordo cordo para uma resolução sobre a incursão de forças colombianas em território equatoriano no último sábado, que resultou no ataque a um acampamento de rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O documento, aprovado por unanimidade, na quarta-feira, não prevê uma condenação à Colômbia, mas reconhece que as forças colombianas violaram a soberania territorial do Equador.
A resolução prevê que a Colômbia reitere seu pedido de desculpas ao Equador e aceite o envio de uma comissão da OEA a ambos os países para analisar o episódio. As conclusões e recomendações da comissão para ajudar a resolver a crise diplomática devem ser apresentadas em uma reunião dos chanceleres da OEA convocada para o dia 17 de março.
O acordo entre Equador e Colômbia foi alcançado no segundo dia de uma reunião extraordinária da OEA em Washington, depois que a Venezuela anunciou que estava enviando para a fronteira com a Colômbia cerca de 8 mil soldados. Na OEA, a Colômbia contou com o apoio dos Estados Unidos, mas a maioria dos Estados-membros, entre eles o Brasil, manifestou sua oposição à forma como as forças colombianas realizaram o ataque que matou um dos líderes das Farc, Raúl Reyes, no Equador.
Em um evento público em Caracas, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou ter conversado por o presidente francês, Nicolas Sarkozy, sobre a crise diplomática e dito a ele que está comprometido com a paz.
- Eu disse que somos um povo e uma nação pacíficos, queremos paz, e nada nem ninguém vai nos desviar do caminho da verdadeira paz - disse.
Pelo telefone
Uma rádio colombiana informou, nesta quarta-feira, que uma chamada telefônica de Chávez foi o que permitiu às forças colombianas localizar Raúl Reyes no Equador. Segundo a reportagem da Rádio Cadena Nacional (RCN), reproduzida pelo jornal venezuelano El Universal, a ligação ocorreu no dia 27 de fevereiro, quando as Farc libertaram quatro ex-congressistas colombianos que mantinham como reféns.
Ao citar fontes militares colombianas, a RCN disse que Chávez ficou emocionado com a libertação dos reféns e ligou para Reyes para dizer que tudo havia corrido bem. A chamada foi interceptada pelos serviços de inteligência colombianos, que localizaram o comandante das Farc, abrindo caminho para o ataque.