Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Colômbia diz ter indícios de ligação do Equador com as Farc

O governo da Colômbia afirmou neste domingo ter encontrado informações sobre supostas ligações do governo do presidente do Equador, Rafael Correa, com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em computadores que pertenciam a Raúl Reyes, porta-voz da guerrilha que foi morto em operação militar no sábado. (Leia Mais)

Segunda, 03 de Março de 2008 às 13:47, por: CdB

O governo da Colômbia afirmou neste domingo ter encontrado informações sobre supostas ligações do governo do presidente do Equador, Rafael Correa, com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em computadores que pertenciam a Raúl Reyes, porta-voz da guerrilha que foi morto em operação militar no sábado.

A morte de Reyes, considerado o número 2 das Farc, ocorrida do lado equatoriano da fronteira com a Colômbia, gerou neste domingo uma crise diplomática sem precedentes entre a Colômbia e seus dois principais vizinhos: a Venezuela e o Equador.

Em uma entrevista coletiva, o general Oscar Naranjo, diretor da Polícia Nacional colombiana, disse que os documentos encontrados nos computadores “permitem falar de um relacionamento estrutural das Farc tanto na Venezuela quanto no Equador”, sendo que, no último caso, o relacionamento “está suportado por decisões oficiais do governo equatoriano”.

O vice-ministro da Defesa do Equador, Miguel Carvajal, classificou como “bravatas” as acusações colombianas sobre os vínculos com as Farc. Entrevistado pela rádio colombiana Caracol, ele disse não saber de onde “tiram isso”.

As declarações sobre os supostos vínculos do Equador com a guerrilha foram feitas após a expulsão do embaixador colombiano em Quito. Além de expulsar o embaixador Carlos Holguín, Rafael Correa também enviou tropas para a fronteira com a Colômbia.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, já havia decidido fechar a embaixada da Venezuela em Bogotá e enviou dez batalhões de tanques para a fronteira entre os dois países.

A decisão de Correa ocorreu pouco depois de receber uma nota da chancelaria colombiana com um pedido de desculpas pela entrada em seu território de helicópteros colombianos que recolheram o corpo do líder guerrilheiro morto além de alguns de seus pertences, entre eles seus computadores pessoais.

— Decidi pela expulsão imediata do embaixador da Colômbia no Equador e também solicitei a imediata convocação do Conselho Permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da CAN (Comunidade Andina de Nações) —, disse Correa em uma mensagem transmitida pela TV.

Correios eletrônicos

Pouco depois do pronunciamento de Correa, o diretor da Polícia Nacional colombiana, Oscar Naranjo, afirmou que nos computadores de Reyes havia documentos, como correios eletrônicos e atas, nos quais se revela um diálogo do líder guerrilheiro com o ministro da Segurança Pública do Equador, Gustavo Larrea.

Naranjo disse que a informação encontrada é “muito grave” e “afeta a segurança nacional” da Colômbia e que, por isso, esperava das autoridades equatorianas “respostas que tornem claros os vínculos das Farc em território equatoriano e particularmente com o governo do presidente Correa”.

O general se referiu a um documento de 18 de janeiro deste ano, segundo ele assinado por Reyes e dirigido ao secretariado das Farc, no qual fala de uma visita do ministro Larrea.

"Larrea, em nome do presidente Correa, tem interesse em oficializar as relações com a direção das Farc por intermédio do ministro da Segurança”, diz uma parte do documento, segundo Naranjo.

O general afirmou ainda que, no documento, Reyes afirma também que Larrea solicitou às Farc “um aporte para impulsionar a gestão de Correa na questão da troca de reféns”. Segundo ele, isso poderia ser a entrega de um refém importante ou “algo que permita dinamizar seu trabalho político”.

Naranjo também leu um trecho no qual Reyes afirma que o governo equatoriano estaria disposto a trocar os comandos policiais e militares nas regiões com presença das Farc para afastar os oficiais hostis à guerrilha.

Quando perguntaram a Naranjo se os computadores de Reyes continham informações sobre outros governos, ele disse: “Estão aflorando diferentes dimensões desse relacionamento terrorista das Farc com outras personalidades, com outras instituições e com outros gove

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