Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026

Colômbia confunde identidade de traficante morto com a de seu irmão gêmeo

Quarta, 30 de Abril de 2008 às 06:01, por: CdB

A polícia colombiana divulgou  nesta quarta-feira que o narcotraficante morto em uma operação é Víctor Manuel Mejía Múnera e não seu irmão gêmeo, Miguel Ángel, como anunciado anteriormente.

Segundo o jornal colombiano El Tiempo, a confusão se deu porque na chácara onde o criminoso foi surpreendido pela unidade de elite da polícia, foram encontrados documentos de seu irmão.

Exames de datiloscopia, no entanto, revelaram horas mais tarde a identidade verdadeira do narcotraficante. Víctor Mejía e Miguel Ángel, dois dos criminosos mais procurados na Colômbia, encabeçavam a gangue conhecida como Los Mellizos (Os Gêmeos), surgida depois da desmobilização dos grupos paramilitares colombianos de extrema direita.

O governo dos Estados Unidos oferecia uma recompensa de US$ 5 milhões (cerca de R$ 8,5 milhões) por informações sobre o paradeiro de qualquer um dos irmãos. Segundo a polícia, Mejía foi morto em um enfrentamento com policiais na localidade de Caucasia, no departamento de Antioquia, onde estava escondido com outros integrantes de seu grupo.

Conforme a polícia, ele vestia um uniforme militar norte-americano quando foi encontrado. De acordo com as autoridades colombianas, no confronto também foram mortos dois seguranças de Mejía. Outros três homens do bando foram presos. O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, espera agora que Miguel Ángel se entregue às autoridades, sob ameaça de ter o mesmo destino do irmão.

Segundo o ministro, o criminoso estimulava a criação de gangues criminosas e articulou seu funcionamento em vários departamentos do país.

- Ele era talvez o criminoso mais procurado da Colômbia - disse o ministro.

Nova geração

Segundo o correspondente da BBC na Colômbia, Jeremy McDermott, a morte de Mejía é uma dupla vitória para o governo colombiano. Conforme McDermott, Mejía era não apenas um importante traficante de drogas, mas também o líder de uma nova geração de criminosos que se espalhou pelo país depois da desmobilização do grupo paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).

Em 2004, durante as negociações entre o governo colombiano e as AUC, os irmãos Mejía Múnera tentaram se beneficiar de uma lei que previa a redução de penas para chefes paramilitares.

Muitos chefes paramilitares colombianos têm vínculos com o tráfico de drogas. No entanto, o governo do presidente Álvaro Uribe não aceitou a inclusão dos irmãos Mejía Múnera nas negociações. Desde então, o paradeiro dos irmãos era desconhecido pelas autoridades colombianas.

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