A polícia colombiana divulgou nesta quarta-feira que o narcotraficante morto em uma operação é Víctor Manuel Mejía Múnera e não seu irmão gêmeo, Miguel Ángel, como anunciado anteriormente.
Segundo o jornal colombiano El Tiempo, a confusão se deu porque na chácara onde o criminoso foi surpreendido pela unidade de elite da polícia, foram encontrados documentos de seu irmão.
Exames de datiloscopia, no entanto, revelaram horas mais tarde a identidade verdadeira do narcotraficante. Víctor Mejía e Miguel Ángel, dois dos criminosos mais procurados na Colômbia, encabeçavam a gangue conhecida como Los Mellizos (Os Gêmeos), surgida depois da desmobilização dos grupos paramilitares colombianos de extrema direita.
O governo dos Estados Unidos oferecia uma recompensa de US$ 5 milhões (cerca de R$ 8,5 milhões) por informações sobre o paradeiro de qualquer um dos irmãos. Segundo a polícia, Mejía foi morto em um enfrentamento com policiais na localidade de Caucasia, no departamento de Antioquia, onde estava escondido com outros integrantes de seu grupo.
Conforme a polícia, ele vestia um uniforme militar norte-americano quando foi encontrado. De acordo com as autoridades colombianas, no confronto também foram mortos dois seguranças de Mejía. Outros três homens do bando foram presos. O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, espera agora que Miguel Ángel se entregue às autoridades, sob ameaça de ter o mesmo destino do irmão.
Segundo o ministro, o criminoso estimulava a criação de gangues criminosas e articulou seu funcionamento em vários departamentos do país.
- Ele era talvez o criminoso mais procurado da Colômbia - disse o ministro.
Nova geração
Segundo o correspondente da BBC na Colômbia, Jeremy McDermott, a morte de Mejía é uma dupla vitória para o governo colombiano. Conforme McDermott, Mejía era não apenas um importante traficante de drogas, mas também o líder de uma nova geração de criminosos que se espalhou pelo país depois da desmobilização do grupo paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).
Em 2004, durante as negociações entre o governo colombiano e as AUC, os irmãos Mejía Múnera tentaram se beneficiar de uma lei que previa a redução de penas para chefes paramilitares.
Muitos chefes paramilitares colombianos têm vínculos com o tráfico de drogas. No entanto, o governo do presidente Álvaro Uribe não aceitou a inclusão dos irmãos Mejía Múnera nas negociações. Desde então, o paradeiro dos irmãos era desconhecido pelas autoridades colombianas.