A Corte Constitucional da Colômbia aprovou nesta quarta-feira uma lei que permite aos presidentes concorrem à reeleição, mas o popular presidente colombiano, Alvaro Uribe, aguarda uma segunda decisão judicial para saber se poderá buscar um novo mandato nas eleições de maio.
O presidente da Corte, Manuel José Cepeda, disse que os magistrados concordaram com uma lei aprovada pelo Congresso no fim do ano passado que permite mais de um mandato para os presidentes.
Em entrevista coletiva, Cepeda esclareceu que, agora o tribunal tem de decidir, até o dia 11 de novembro, se concorda com uma segunda lei que estabelece as regras para que presidentes em exercício possam concorrer à reeleição.
Não ficou claro se Uribe poderá tentar se reeleger se essa segunda lei for rejeitada.
O correspondente da BBC em Medellín Jeremy McDermott informa que, de acordo com as pesquisas de intenção de voto, Uribe é o franco favorito para as eleições de maio do ano que vem, com três vezes mais apoio do que o segundo colocado.
No entanto, diz o correspondente, os grupos guerrilheiros devem tentar impedir um novo governo de Uribe, que conta com o apoio político e militar dos Estados Unidos para o combate ao nacotráfico.
Esses grupos principalmente as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) já vêm aumentando a pressão sobre o presidente, realizando ataques em todo o país. Agora o temor é que eles escalem a violência para atingir Uribe no centro do seu programa de governo: a política de segurança e a promessa de derrotar as guerrilhas.
Uribe diz que precisa de mais tempo para combater os grupos guerrilheiros. O presidente, no entanto, precisa esperar a definição de regras para a sua participação nas eleições.
O correspondente da BBC Hernando Álvarez informa de Bogotá que o Tribunal Constitucional agora vai estudar a Lei de Garantias Eleitorais, que deverá estabelecer as regras do jogo eleitoral para que, durante a campanha, Uribe não saia com uma ampla vantagem em relação aos outros candidatos.
Entre outras coisas, esta lei regulamenta as verbas e os financiamentos públicos de campanha, o acesso aos meios de comunicação e o uso da máquina pública.
O problema, diz o correspondente da BBC, é que no caso do Tribunal devolver a lei ao Legislativo, pode não haver tempo suficiente para que o Congresso volte a estudar o tema antes das eleições de 2006, o que poderia comprometer a candidatura do presidente.