Rio de Janeiro, 01 de Abril de 2026

Colisão de trens mata 50 pessoas no Egito

Cerca de 50 pessoas morreram e mais de 120 ficaram feridas no choque entre dois trens de passageiros, nesta segunda-feira, no Egito, no delta do Nilo, ao norte do Cairo. Este é um dos piores acidente ferroviário da história do país desde 2002. (Leia Mais)

Segunda, 21 de Agosto de 2006 às 07:27, por: CdB

Cerca de 50 pessoas morreram e mais de 120 ficaram feridas no choque entre dois trens de passageiros, nesta segunda-feira, no Egito, no delta do Nilo, ao norte do Cairo. Este é um dos piores acidente ferroviário da história do país desde 2002, quando incêndio em trem de passageiros, que cobria o trajeto Cairo-Luxor (sul), matou 376 pessoas.

Os números foram divulgados pelo ministro da Saúde egípcio, Hatem el Gabaly. A emissora de TV estatal Nile News mostrou as primeiras imagens do acidente, nas quais era possível ver vários cadáveres dentro dos trens ou sob os vagões descarrilados. O número de mortos pode aumentar devido ao estado grave de vários dos feridos.

O acidente ocorreu às 07h (01h em Brasília) entre um trem procedente da cidade de Lardo (norte) e outro que esperava na estação Qalyoub, 20 km ao norte da capital do Egito.

De acordo com uma fonte dos serviços de segurança que viu o choque, o acidente foi provocado por uma falha da pessoa responsável pelo semáforo de sinalização situado antes de Qalyoub, porque esta não deteve a tempo o trem de Lardo, cujo condutor morreu. O maquinista do outro trem prestou depoimento à polícia.

Mais de 45 ambulâncias foram enviadas ao local do acidente para socorrer as vítimas.

O governador de Qalyoub, Adli Hussein, que foi para o local do acidente acompanhado por outras autoridades, afirmou que a colisão ocorreu quando o trem número 808 que circulava em alta velocidade bateu contra a parte traseira da outra locomotiva.

Fontes do Ministério de Transporte disseram que vários vagões descarrilaram e tombaram, e que os bombeiros conseguiram controlar um incêndio no trem que procedia de Lardo.

Medo

- Estava no trem de Benha, que se encontrava parado há cinco minutos quando, de repente, sentimos algo como um terremoto. Saltamos pelas janelas e vimos fogo na parte traseira do trem - contou Mamdouh Amer, 29.

Segundo Amer, a maioria dos viajantes era de operários, funcionários públicos e policiais que seguiam para os locais de trabalho no Cairo.

- Acabara de acordar, quando ouvi um barulho espantoso. Corri para a varanda e vi a fumaça e os corpos que caíam dos vagões virados - relata Suad Abdallah, 53.

Os filhos de Abdallah e os moradores dos edifícios próximos saltaram o muro que separa as casas das ferrovias para ajudar a retirar os mortos e feridos dos ferros retorcidos.

Duas horas depois da tragédia, as equipes de resgate prosseguiam o transporte dos corpos despedaçados dos vagões para as ambulâncias, por meio de um buraco aberto no muro.

Algumas pessoas criticaram a demora dos policiais e bombeiros para chegar ao local do acidente. No entanto, um cordão de isolamento impedia a aproximação dos mais exaltados.

De acordo com testemunhas, as equipes de resgate demoraram uma hora para chegar à região.

- Ligamos para os bombeiros, mas no início eles não queriam acreditar no que contamos - disse Chaimaa Samir, 23.

Dos dois lados da ferrovia, que corta a região agrícola, os socorristas recolhiam sapatos, tênis e garrafas de água.

No chão, aos pés de uma grua que tentava retirar a sucata, era possível observar uma página do Alcorão (livro sagrado do islamismo) ensangüentada e uma sola de sapato queimada, também manchada de sangue. Pedaços de corpos carbonizados também estavam espalhados na grama.

Os acidentes ferroviários são relativamente freqüentes no Egito. Este é o terceiro acidente deste tipo no delta do Nilo desde 28 de fevereiro último, quando cerca de 20 pessoas ficaram feridas em um choque entre dois trens em Beheira, 150 quilômetros ao norte do Cairo.

No dia 1º de maio, mais de 40 pessoas ficaram feridas em um acidente similar na Província de Al Sharquiya, cerca de 100 quilômetros ao norte da capital.

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