Rio de Janeiro, 06 de Agosto de 2026

Colírio pode ter deixado 13 pessoas cegas

Um colírio fabricado por um laboratório sem licença pode ter causado cegueira em 13 pacientes de catarata no Rio de Janeiro. As vítimas entraram nas salas de cirurgia com a expectativa de, em cerca de uma hora, voltarem para casa com a visão perfeita. (Leia Mais)

Sábado, 14 de Junho de 2003 às 07:38, por: CdB

Um colírio fabricado por um laboratório sem licença pode ter causado cegueira em 13 pacientes de catarata no Rio de Janeiro. As vítimas entraram nas salas de cirurgia com a expectativa de, em cerca de uma hora, voltarem para casa com a visão perfeita. No entanto, 48 horas depois, os 13 pacientes estavam cegos. As vítimas foram operadas neste ano para a retirada de catarata (opacidade da lente natural do olho que acomete 1% da população com mais de 50 anos). O provável responsável pela tragédia é o produto Methyl Lens Hypac 2%, a metilcelulose, fabricada por uma empresa sem registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), distribuída pela empresa Mediphacos e aplicada no olho das vítimas durante a operação. A Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) investiga a presença da bactéria intestinal Enterobacter cloacae, que contaminou os pacientes, no medicamento. O advogado Alessandro Paula Freitas pretende entrar na segunda-feira com uma ação civil contra a Santa Casa de Misericórdia do Rio e a Mediphacos por danos morais, estéticos e materias a Cezar Augusto Caguano Turuchina, de 69 anos, e Leontina Viana Lopes, de 64 anos. Os dois foram operados no dia 4 de fevereiro e, dois dias depois, apresentaram sintomas de infecção. De volta à Santa Casa, o médico responsável tentou mas não conseguiu recuperar a visão dos pacientes. "Vou também procurar o Ministério Público. Se entenderem que cabem mais investigações, vou direto ao delegado especializado", disse o advogado. O oftalmologista Evandil Bandeira Júnior, que operou as duas vítimas na Santa Casa, comunicou os casos à chefia de enfermaria do hospital e à SBO. Ele mesmo patrocinou uma prótese para o olho de Leontina. Filha da vítima, Iolanda conta que a mãe precisava retirar a catarata do outro olho mas não tem coragem. Por dois meses, ela sequer saiu de casa. Leontina, que era passadeira, não pode mais trabalhar. "Ela entrou enxergando um pouco e saiu cega. O médico diz que foi a metilcelulose. Ela ficou dois meses com muita dor, depois ficou cega, perdeu a córnea. A aparência ficou muito ruim e ela, muito abalada. Não saía na rua por nada nesse mundo. Queremos, em primeiro lugar, justiça, porque dinheiro nenhum vai trazer a visão da minha mãe de volta. Quero que o responsável vá para a cadeia", desabafa Iolanda. Em ofícios do oftalmologista, ele relata que as cirurgias para retirada de catarata foram seguidas de endoftalmite (infecção intra-ocular). Num dos documentos, em que solicita análise de amostras da metilcelulose usada, ele afirma que em outro laboratório do Rio houve um resultado positivo para a bactéria na metilcelulose do mesmo lote. Análise de um terceiro laboratório não teria detectado a bactéria no medicamento. No entanto, uma química que não quis se identificar disse que o resultado negativo pode ser atribuído à pequena quantidade da amostra. No Hospital do Fundão, outros cinco casos de endoftalmite devido à contaminação do medicamento foram registrados. O hospital diz lamentar o ocorrido e recomenda que as vítimas procurem a Sociedade Brasileira de Oftalmologia. Outro hospital de uma grande cidade fluminense registrou mais de cinco casos. Vendido pela empresa Lenssurgical Oftalmologia Indústria e Comércio Importação Exportação Ltda., o medicamento foi interditado no dia 4 de fevereiro pela Anvisa. A Lenssurgical, com sede em Campinas, foi fechada e todos os seus produtos, suspensos, porque o fabricante não estava autorizado pela Anvisa. A agência afirma, no entanto, que não analisou a metilcelulose da empresa, o que só ocorreria se tivesse recebido denúncias. A Mediphacos, distribuidora da metilcelulose para pelo menos dois hospitais em que os casos foram registrados, diz ter interrompido a venda do medicamento logo que soube da interdição pela Anvisa. Conforme o diretor industrial da empresa, Marcelo Camargos, no entanto, a empresa não foi informada sobre a possível contaminação da metilcelulose. Ele conta que ho

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