Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 2026

Coletiva sobre pedido da CPI da Operação Navalha acaba em tumulto

Quinta, 24 de Maio de 2007 às 18:14, por: CdB

O anúncio dos números de assinaturas de deputados e senadores para criação de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso para apurar o desvio de verbas públicas que vem sendo investigado pela Polícia federal na Operação Navalha provocou o maior tumulto dessa legislatura no Salão Verde da Câmara. Enquanto um grupo de deputados falava sobre a importância de se criar a comissão para investigar, adotar medidas moralizadoras no Parlamento e oferecer alternativas para resgatar a imagem do Congresso, o deputado Silvio Costa (PMN-PE) entrou em cena para questionar a comemoração dos deputados que já conseguiram 29 assinaturas no Senado e 154 na Câmara.

O deputado Silvio Costa começou a bater boca com os deputados que davam a entrevista. Ao deputado Chico Alencar (RJ), líder do P-Sol, ele disse "vocês me respeitam, eu não sou palhaço. Vocês estão fazendo teatro para a imprensa e querendo pousar de éticos".
 
- Esse grupo de parlamentares não pode querer pousar de paladinos da ética e os demais não são éticos? É preciso acabar com esse dualismo na Casa entre éticos e não éticos. Tem que acabar com essa palhaçada de alguns poucos querer tripudiar em cima da imagem da Casa -, acrescentou.
 
O deputado Chico Alencar tentou contra argumentar, mas o pernambuco não quis ouvir as explicações".

O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), um dos primeiros a ser enfrentado por Silvio Costa disse o parlamentar não tinha entendido que a entrevista era do grupo de parlamentares que vem trabalhando com a questão da ética no Parlamento há muito tempo e que esse grupo tinha o objetivo de mostrar que essa CPMI "é apenas um instrumento para a moralidade do Legislativo".
 
O deputado Silvio Costa, muito irritado, anunciou que estava retirando sua assinatura do requerimento de criação da CPI, embora ele tenha sido um dos primeiros a subscrevê-lo.

- Vou também pedir aos deputados da base aliada do governo que retirem suas assinaturas. Não podemos aceitar essa palhaçada". Ele informou que não recebeu nenhuma pressão e nenhum pedido do governo para retirar sua assinatura. Estou retirando minha assinatura por conta do teatro desse grupo que se julga mais ético do que os outros parlamentares -, disse.

A deputada Luciana Genro (P-Sol-RS), uma das agredidas verbalmente por Silvio Costa, acusou o deputado de negociar a retirada da assinatura com o governo. 
 
- O deputado assinou o requerimento para depois negociar com o governo a retirada da assinatura -, disse.
 
A deputada disse que essa CPI é importante para dar visibilidade ao problema das fraudes e também para que a população se mobilize para pressionar a CPI e o Congresso para tomarem medidas não paleativas para resolver o problema, mas medidas que "tocam no problema  estrutura da política brasileira".

Ao tomar conhecimento da declaração da deputada Luciana Genro, Silvio Costa reagiu e prometeu que se a deputada tiver acusado ele de negociar com o governo a retirada de sua assinatura que ele vai processá-la no Conselho de Ética da Câmara.
 
- Se a deputada disse isso ela está sendo leviana. Eu vou levá-la ao Conselho de Ética e ela vai ser cassada. Não existe homem nesse Pais com moral para me pressionar. Não recebi nenhum telefonema para retirada de assinatura. Eu voto no governo Lula por convicção -, afirmou.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), um dos autores do requerimento para criação da CPI, lamentou que o deputado tenha anunciado que vai retirar sua assinatura. Ele admitiu que é legitima a pressão para as retiradas de assinaturas, da mesma forma que existe um trabalho para a coleta de mais assinaturas.

O tumulto e o bate-boca entre o deputado Silvio Costa e outros deputados Fernando Gabeira, Luciana Genro, Raul Jungamann (PPS-PE), Ivan Valente (P-Sol-SP), Chico Alencar e Luiza Erundina (PSB-SP) só terminou depois que os seguranças da Câmara intercederam para

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