Aulas sobre a etnia do povo brasileiro, racismo e discriminação fazem parte do currículo do Colégio Estadual Professor Sousa da Silveira, em Quintino, na Zona Norte do Rio. A iniciativa partiu da professora de história e coordenadora pedagógica, Carla Lopes, que se antecipou e já colocou em prática a lei que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e tornou obrigatório o ensino de história africana e cultura afro-brasileira nos ensinos fundamental e médio.
O primeiro obstáculo foi despertar o interesse dos alunos que nem sabiam sobre suas raízes e, para isso, a educadora decidiu ampliar as discussões sobre a questão étnica na sociedade brasileira. Assim, nasceu o Programa de Reflexões e Debates para a Consciência Negra, com palestras mensais e debates no auditório da escola, para que os alunos se sentissem privilegiados com a visita dos palestrantes convidados.
As discussões foram além das disciplinas de história, língua portuguesa e educação artística e os resultados não tardaram. Dos gráficos com dados estatísticos sobre as condições socioeconômicas da população negra, evolui-se para a chamada "etnomatemática"; escritores de origem negra, como Castro Alves e Machado de Assis, passaram a ser valorizados nas aulas de português; e até as aulas de inglês foram adaptadas, usando a história do movimento negro americano como referência.
O projeto se tornou um grande sucesso e passou a ser objeto de estudo do Observatório Jovem, da Universidade Federal Fluminense (UFF), além de integrar o Fórum Permanente de Educação e Diversidade Étnico Racial, do Ministério da Educação (MEC). Para a professora Carla, que está feliz com o êxito do projeto, o ensino das matérias não teria sucesso simplesmente com a obrigatoriedade estipulada por lei.
- O Brasil tem um povo essencialmente mestiço. A afirmação é do escritor Sílvio Romero. Faz sentido o estudo relativo à nona etnia, dentro dos princípios democráticos que devem nortear a nossa ação - concluiu o secretário de Educação, Arnaldo Niskier.