O fantasma de uma quebradeira em série no sistema financeiro norte-americano, reavivado pelo colapso do Lehman Brothers, acertou em cheio a Bolsa de Valores de São Paulo, que teve nesta segunda-feira seu pior dia desde os atentados de setembro de 2001.
A desvalorização de 7,59% evaporou a maior parte dos ganhos acumulados pelo o Ibovespa nas últimas três sessões, voltando aos 48.416 pontos.
Calibrado pelo exercício dos contratos de opções, o giro financeiro alcançou os 6,57 bilhões de reais, o maior do mês.
Declarações de autoridades monetárias dos Estados Unidos repetidas à exaustão nesta segunda-feira foram insuficientes para restaurar a confiança dos investidores, depois de um final de semana pontuado pelo pedido de proteção contra falência do Lehman, a compra do Merrill Lynch pelo Bank of America e o pedido de socorro da seguradora AIG.
A leitura de que os desdobramentos da crise vão contaminar a já combalida economia internacional patrocinou uma tempestade de ordens de venda nos mercados acionários e nos de commodities no mundo inteiro. O barril de petróleo despencou ao patamar dos 94 dólares, o menor nível desde março.
Na Bolsa de Nova York, o índice S&P 500 também teve seu pior dia em sete anos, ao mergulhar 4,71%.
Na Bovespa, os ativos de maior liquidez foram os mais castigados. Também acusando a queda do petróleo, Petrobras despencou 9,7%, a 29,80 reais.
Ainda pior, Vale foi esfolada em 9,9%, para 33,62 reais. Dentro do índice, só ficou atrás da própria BM&F Bovespa, que caiu impressionantes 13,9%, a 8,40 reais.
A rapidez e intensidade dos acontecimentos foi de tal ordem que impressionou até profissionais experientes do mercado.
- Tenho mais de três décadas no mercado de capitais. Nunca vi algo assim - disse Edison Roberto Marcellino, diretor de renda variável da corretora Finabank.
Vendidos levam a melhor
O exercício dos contratos de opções sobre ações movimentou 1,167 bilhão nesta segunda-feira. Desse total, 837,3 milhões de reais foram de opções de venda. A opção que dava direito de vender a ação preferencial de Petrobras a 55,00 apareceu em primeira, com giro de 200,6 milhões de reais.
O resultado configura a vitória dos vendidos, jargão do mercado que qualifica os investidores que apostam na desvalorização dos papéis.
Dias melhores virão?
Reafirmando o que já adiantara na semana passada, o Citi liberou um relatório nesta segunda-feira apontando o Brasil como seu mercado preferido na América Latina. Mesmo reduzindo a previsão de Ibovespa para o final do ano, de 66 mil para 62 mil pontos, o banco considerou que a forte desvalorização do mercado doméstico nos últimos meses abriu um ponto de compra atrativo.