Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

'Coisa mais linda' traz nostalgia musical

Quinta, 01 de Setembro de 2005 às 11:13, por: CdB

O falso bate-papo informal entre os compositores Carlos Lyra e Roberto Menescal já nas primeiras cenas do filme <i>Coisa mais linda</i>, estréia da sexta-feira, denuncia ao espectador a nostalgia dominante do novo documentário do cineasta mineiro Paulo Thiago.

Ao remexerem os baús da Bossa Nova, movimento que revolucionou a cultura musical brasileira, seja pela melodia ou pelos elaborados arranjos, eles não escapam da melancolia que acompanha toda a produção.

O diretor, que também assina o roteiro, aborda diretamente uma época de ouro e um Rio de Janeiro inesquecível, não assombrado pelas marcas da violência. Há também discursos emocionados de velhos amigos que ajudaram a eternizar a batida que, em 1962, no Carnegie Hall, encantou os norte-americanos em Nova York.

Nos depoimentos, nas imagens inéditas de apresentações, nas homenagens a Vinicius de Morais, Tom Jobim, João Gilberto e Nara Leão, o painel da década de 1950 é redesenhado. Alaíde Costa, Johnny Alf, Joyce, Wanda Sá, Iko Castro Neves, entre outros que ainda defendem as bandeiras da Bossa Nova, estão lá para juntar as peças que explicam o nascimento do famoso gênero do banquinho e violão.

As lembranças são apenas quebradas pelos capítulos focados nas letras, harmonia, batida, ritmo e, até, no banquinho. Há também discussões acompanhadas por teóricos como Sérgio Cabral, Tarik de Souza e Arthur Tavola. Mais didáticos, eles situam o espectador em um contexto mais amplo da música brasileira e, assim, mostram a importância de tudo o que se vê na tela.

Por mais que sejam as recordações e apresentações as grandes personagens deste documentário, as insistentes investidas do diretor e roteirista em sensibilizar o espectador desvirtuam sua real proposta. Poesias dos mais variados autores e trechos líricos das obras de Vinicius de Morais invadem a tela em situações desnecessárias e sem propósito.

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