Vai ao ar pela rede de TV ABC dos EUA, disponível no Brasil apenas via cabo, na noite desta quinta-feira uma reconstituição do caso do brasileiro Roberto Rocha, filho de um pastor radicado nos Estados Unidos que se tornou suspeito de assassinato de uma menina de 15 anos, em 2002, no Estado da Georgia. Rocha foi preso apenas porque na mesma escola da menina e havia feito uma ligação para o celular dela. O brasileiro se apresentou à polícia voluntariamente, com o melhor álibe que alguém pode ter na vida: ele estava no Brasil no dia em que ela foi assassinada. No interrogatório, porém, a polícia o ameaça a ponto de fazê-lo confessar por um crime que não cometeu.
No especial da ABC, é exibida uma cópia da gravação do interrogatório, no qual a polícia insiste em incriminá-lo. Chegaram a afirmar que três testemunhas o viram matar a garota e o ameaçam de várias formas. Segundo o advogado, Brian Steel, os policiais se aproveitaram do fato de Rocha ter uma deficiência mental.
- Ele tem um quociente de inteligência bastante baixo, com uma idade mental de um menino de 12 anos - esclareceu.
O estudante fora orientado por Steel a ser cooperativo e, confuso após tantas horas de interrogatório, confessou um crime que não cometeu. O problema é que os detalhes relatados não conferiam com a realidade, o que denunciou os agentes policiais, que colocaram palavras na boca do menor e o levaram a simplesmente repetir detalhes de atos que jamais praticou. Ele disse, por exemplo, que fazia frio no dia em que a menina foi morta, quando era pleno verão. Ainda assim ele foi preso.
Roberto Rocha, pai do rapaz, ficou indignado ao não ser ouvido pela polícia, apesar de ter apresentado todos os documentos para provar que o filho estava no Brasil, dede o passaporte carimbado, passagens, fotos, testemunhas e até um raio-X tirado quando ele foi ao dentista no Brasil, em 2 de julho de 2002. Disseram, na delegacia, que o álibi era inconvincente e determinaram a prisão domiciliar do suspeito. Ele foi liberado após mais de um ano.
Na realidade, quem matou a menina foi um norte-americano, que já fora condenado por estupro e assassinato em dezembro do ano passado.