A conservadora alemã Angela Merkel poderá não ter apoio suficiente para formar uma coalizão de centro-direita no país após a eleição de 18 de setembro, mostrou uma pesquisa nesta sexta-feira, confirmando o veredicto de sondagens anteriores.
Seu partido, o Democrata Cristão, continua liderando a pesquisa, mas pode ter de recorrer à chamada "grande coalizão" com seus maiores rivais, os centro-esquerdistas do Partido Social Democrata (SPD). Os mercados financeiros temem que isso provoque uma desaceleração das reformas econômicas na Alemanha.
A pesquisa do instituto Wahlen para a TV pública ZDF indicou que a intenção de votos para os democratas cristãos do CDU e de sua "irmã" União Social Cristã (CSU) caiu para 41%. Seus aliados liberais do Partido dos Democratas Livres (FDP) têm 7%.
Já o SPD do atual chanceler (primeiro-ministro) Gerhard Schroeder aparece com 34%. Seus parceiros de coalizão, os Verdes, têm 7%, e o novo Partido da Esquerda aparece com 8%.
Schroeder cresceu desde o debate pela TV no domingo, no qual foi considerado o vencedor contra Merkel.
A pesquisa também reflete um crescente ceticismo a respeito da radical reforma tributária proposta pelo virtual ministro das Finanças de Merkel, Paul Kirchhof, que pretende criar um imposto de renda único e reduzir vários subsídios e isenções fiscais.
Líderes do SPD descartam uma coalizão com o Partido de Esquerda, uma aliança recém-formada entre ex-comunistas e outros esquerdistas, que tem à frente Oskar Lafontaine, adversário de Schroeder.
Isso significa que o único governo viável seria uma coalizão entre os social-democratas e os democratas cristãos.
Economistas e analistas consideram essa "grande coalizão" entre dois partidos com visões tão díspares como uma receita para o impasse e a instabilidade. Mas a pesquisa mostra que para 35 por cento dos entrevistados esse é o melhor resultado.
A popularidade pessoal de Schroeder continua bem acima da de seus rivais. Embora 54% dos entrevistados estejam insatisfeitos com seu governo, 53% preferem Schroeder como chanceler, contra apenas 40% que preferem Merkel.
A disputa até agora é travada principalmente sobre questões econômicas. Merkel acusa o governo de negligência na questão do emprego e nas reformas. Schroeder afirma que os conservadores querem desmantelar o Estado de bem-estar social alemão.