A coalizão liderada pelos Estados Unidos e o novo executivo iraquiano estão convencidos de que a violência aumentará no Iraque à medida que se aproxime o dia 30 de junho, data prevista para a entrega de poder aos iraquianos, e, posteriormente, até que sejam realizadas as primeiras eleições gerais.
"A insurreição dos partidários de Saddam será mais sofisticada", reconheceu David Gompert, conselheiro para Segurança Nacional do administrador americano no Iraque, Paul Bremer. Gompert assinalou que a ameaça dos remanescentes do antigo regime, combinada ao terrorismo internacional, cria uma situação explosiva no país.
A situação já é crítica devido aos atentados quase diários. A coalizão e as instituições provisórias atribuem esses ataque aos partidários do antigo regime e ao terrorismo internacional, que, segundo eles, buscam o fracasso do processo político.
Bagdá sofreu hoje um novo atentado suicida com carro-bomba. O segundo em 24 horas. Os altos funcionários da nova administração que receberá o poder das mãos da coalizão no fim do mês são frequentemente alvo de atentados. Dois deles foram assassinados nos últimos dias.
"Enfrentamos hoje uma ameaça do terrorismo internacional muito mais grave do que há seis meses", afirmou Gompert, acrescentando que as redes estrangeiras aproveitaram este período para se organizar e transmitir experiência aos iraquianos que lutam contra a ocupação.
Referindo-se ao atentado desta segunda-feira, que deixou 16 mortos, incluindo cinco técnicos estrangeiros que trabalhavam na reconstrução do setor elétrico, o primeiro-ministro iraquiano, Iyad Allawi, prometeu uma política de linha-dura depois de 30 de junho.
"Teremos uma posição firme e vamos conseguir a vitória" contra os autores dos atentados, declarou ele à imprensa. "A situação deve piorar nos próximos dias e estamos conscientes do objetivo daqueles que estão por trás dos ataques", acrescentou Allawi.
"Quero pedir ao povo iraquiano paciência e que enfrente estas forças que tentam atrapalhar o nosso caminho em direção à democracia", disse o premier em uma mensagem ao povo iraquiano. Segundo David Gompert, o sucesso no Iraque depende necessariamente do êxito do processo político, em particular da chegada ao poder de um regime representativo mediante eleições livres.
Até a realização de eleições gerais, previstas para janeiro de 2005, o conselheiro de Bremer disse que espera um recrudescimento da violência. "Vão (os terroristas) executar seus planos durante os próximos seis meses". "Os atentados suicidas estão se multiplicando. É o método que está ao alcance dos terroristas e aquele que causa grande impacto na população".