O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Palácio do Planalto, nesta quarta-feira, dirigentes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em pauta, a greve de fome do bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, contra o Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional.
O ato de protesto do religioso completou 16 dias. Participaram do encontro o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha, e o secretário-geral, dom Dimas Lara Barbosa.
Em Sobradinho (BA), a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia anunciou algumas medidas para garantir o pronto-atendimento ao bispo, caso seja necessário. Entre as ações, acertadas por representantes da secretaria estadual e da secretaria municipal de Sobradinho (onde o bispo se encontra), está a reserva de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na cidade baiana de Juazeiro.
Além disso, será garantida assistência do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) e reforço de medicamentos ao hospital de Sobradinho. Dom Cappio está em greve de fome desde o dia 27 de novembro para protestar contra o projeto do governo federal de transposição das águas do Rio São Francisco. Segundo o sociólogo Rubens Siqueira, representante da Pastoral da Terra que está em Sobradinho, dom Cappio está bem, apesar de ter tido uma ligeira queda de pressão hoje, que foi "facilmente contornada".
– Ele perdeu quatro quilos desde o início da greve, mas tem participado normalmente do dia-a-dia aqui, atendendo pessoas, recebendo muitas visitas de fiéis, autoridades, personalidades, artistas e representantes de organizações mundiais – contou.
De acordo com ele, o bispo mostrou-se "bastante animado" com a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que ontem concedeu uma liminar suspendendo as obras do projeto. Ainda assim, acrescentou Siqueira, dom Cappio pretende manter o jejum. O sociólogo informou ainda que, no último sábado (8), militares impediram a passagem de uma romaria pela barragem de Sobradinho.
– Nossa intenção era apenas manifestar, mas os militares impediram a nossa passagem, pois pensaram que a usina de Sobradinho corria algum risco – disse.
Visitas de apoio
Na tarde desta terça-feira, o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, visitou Dom Luiz. À noite, ele participou da missa, que de modo rotineiro acontece todos os dias. Durante a celebração foi feita uma memória da história de Sobradinho, desde a construção da barragem, que já teve o maior lago artificial do mundo e alterou o curso do rio, além do modo de vida de centenas de pessoas até a foz do São Francisco.
Em seguida representantes dos movimentos sociais entraram carregando bandeiras, sementes e frutos. Durante o momento em que são repassadas as notícias do dia, João Pedro foi chamado para falar ao público da igreja que estava lotada.
– O gesto do Dom Luiz é profético e indica o caminho da mobilização – disse.
Falou sobre a tentativa de privatização da água, a partir dos grandes projetos e expansão do agro e hidronegócio. Por fim completou "essa luta vai ser demorada e difícil, mas vai ser vitoriosa".