Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

CNA comemora sua maior vitória eleitoral na África do Sul

Sexta, 16 de Abril de 2004 às 06:30, por: CdB

O Congresso Nacional Africano (CNA) comemorava nesta sexta-feira sua maior vitória eleitoral desde o fim do apartheid na África do Sul, embora ainda mantenha uma disputa acirrada nas apurações na importante província de KwaZulu-Natal.

Em nível nacional, o CNA, que antes de ser um partido político era um movimento de libertação, conseguiu a ambicionada marca de dois terços das cadeiras no Parlamento - com mais de 90% dos votos apurados, o partido do ex-presidente Nelson Mandela e de seu sucessor, Thabo Mbeki, tinha 69% dos votos.

Esse resultado reflete a confiança na promessa de Mbeki de fazer com que a maioria negra da população tenha acesso aos benefícios econômicos do país, o mais rico da África. Dez anos após o fim do regime de segregação racial, a África do Sul continua às voltas com a pobreza, o desemprego, a Aids e a criminalidade. A votação da última quarta-feira também aumenta a pressão para que o CNA cumpra suas promessas.

``O partido recebeu um enorme mandato do público. A confiança que os eleitores depositaram no CNA não deve ser traída'', disse nesta sexta-feira um editorial do jornal Star, de Johanesburgo.

Mas na província de KwaZulu-Natal, porém, o resultado ainda não está claro. Com 90% dos votos apurados, o CNA trava uma disputa acirrada com o Partido da Liberdade Inkhata, que tenta preservar seu domínio. Se vencer, o CNA asseguraria a hegemonia nacional.

Nesta sexta-feira, o CNA vencia com 45,5 por cento dos votos apurados, contra 37,7 do Inkhata. Como não deve haver maioria absoluta, ambos os partidos estão procurando parceiros para uma coalizão local. 

Fontes do CNA dizem que o partido está disposto a colaborar com o Inkatha, o que traz a possibilidade de uma nova coalizão, que já se mostrou tensa, entre os velhos rivais. ``Estamos preparados para trabalhar com qualquer agrupamento que compartilhe da nossa visão. Não fechamos as portas à negociação com ninguém'', disse Mtolephi Mthimkhulu, porta-voz do CNA na província.

Líderes do Inkhata também sugeriram que há alguma forma de cooperação sendo discutida, mas afirmaram que vão esperar até o final da apuração para tomar uma decisão. ``Não sabemos se temos de pensar em trabalhar com o CNA a esta altura'', disse Blessed Gwala, porta-voz do partido.

O Inkhata provavelmente ficaria contente de formar uma coalizão com seu parceiro eleitoral, a Aliança Democrática, de oposição, que ficou em terceiro na eleição nacional.

O CNA também não conseguiu formar uma maioria esmagadora na província do Cabo Ocidental, mas vai conseguir se manter no poder facilmente, em coalizão com o decadente Novo Partido Nacional, herdeiro do grupo branco que dominava o país no apartheid.

Apesar das incertezas em KwaZulu-Natal, o CNA não perdeu tempo em preparar sua festa da vitória, à qual Mbeki deve comparecer, nesta sexta-feira, em Johanesburgo. O presidente deve ter seu segundo mandato de cinco anos confirmado pelo Parlamento neste mês.

Ele promete usar seu poder para continuar impulsionando uma transformação econômica na África do Sul, onde a minoria branca ainda domina a economia.

A maior economia do continente agora cresce em níveis mais expressivos do que sob o apartheid, mas a diferença de renda continua entre as maiores do mundo. Além disso, o desemprego está em 40 por cento e a epidemia de Aids atinge um em cada nove sul-africanos.
Mbeki prometeu um milhão de novos empregos nos próximos cinco anos, e para isso pretende gastar 15 bilhões de dólares em obras públicas e na infra-estrutura de transportes e telecomunicações. Após vários adiamentos, o governo lançou neste mês um programa para oferecer tratamento com medicamentos anti-retrovirais a portadores do vírus HIV. 

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