Terminou em Genebra a conferência mundial sobre o clima por uma declaração consensual, pela qual se cria uma plataforma mundial de climatologia, cujos membros serão indicados dentro de quatro meses.
A conferência da Organização Mundial de Meteorologia não tinha por objetivo tomar medidas contra o aquecimento do planeta, como se espera da conferência de Copenhague.
Seu objetivo principal incluía o debate sobre o efeito estufa, mas visando formas rápidas de antecipação das mudanças climáticas, a fim de prevenir todos os países quanto a secas prolongadas, temporais, enchentes e outras manifestações.
Todos aprovaram a declaração final pela qual se cria um centro a isso destinado. Os técnicos serão indicados, haverá um novo encontro dentro de 4 meses e, dentro de 16 meses, será apresentado o projeto da nova instituição de climatologia.
O ministro moçambicano dos Transportes e Comunicação, Paulo Francisco Zucula, lembrou que não houve consenso nos detalhes, persistindo algumas divergências quanto às comissões a serem designadas, mas reconhece ter sido um pequeno passo avante.
Por sua vez, o diretor-geral do Instituto de Meteorologia em Angola , Luiz Constantino, destacou a situação de Angola em termos climáticos, que pode ficar sujeita a secas ou enchentes, e se referiu aos países desenvolvidos, responsáveis pelo feito estufa a cujas consequências os países pobres estão também sujeitos.
As mudanças climáticas preocupam os cientistas. Enquanto se aguarda a conferência de Copenhague, em dezembro, onde os países poderão tomar decisões, houve em Genebra a Terceira Conferência sobre o Clima, onde se debateram, durante cinco dias, todos os aspectos susceptíveis de variações com o visível aumento da temperatura em todo planeta.
No caso de um aumento de dois graus na média normal, muitas culturas agrícolas serão afetadas, como o café e o feijão, alimento básico em muitos países. Além disso, o processo de aquecimento da Terra poderá ser irreversível, pelo menos durante milhares de anos.
Entre os participantes, o cientista brasileiro, Antonio Divino Moura, diretor do Instituto de Meteorologia em Brasília, foi um dos vice-presidentes da conferencia.
Eduardo Delgado Assad, pesquisador em agroclimatologia, da Empresa Brasileiras de Agropecuária, acha que a situação atual é grave mas não catastrófica. Regiões secas, como a africana, terão maiores dificuldades e precisarão mudar seus tipos de culturas.
Orivaldo Brunini, agrônomo da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, no Brasil, acha que adaptações à temperatura terão de ser encontradas.