A gigantesca campanha eleitoral da Índia, a maior democracia do mundo, terminou no sábado com os dois principais partidos trocando insultos, enquanto pesquisas mostravam uma disputa acirrada na linha de chegada.
Há muito em jogo em uma campanha que começou com o partido do premiê Atal Behari Vajpayee, apoiado por uma economia em expansão, confiante na vitória, mas que agora vê o principal partido da oposição saindo-se melhor do que o esperado.
O último turno da votação, o maior exercício democrático do planeta, que acontecerá na segunda-feira, será o mais difícil para o Partido Bharatiya Janata (BJP), de Vajpayee, que lidera a coalizão do governo.
Pesquisas de intenção de voto prevêem que o BJP e seus aliados lutarão para obter mais de um terço das cadeiras em disputa na segunda-feira, e mesmo assim podem não conseguir ficar com a maioria no Parlamento.
Conforme a disputa se acirrava, a campanha ficava mais desagradável, deixando os investidores nervosos com os resultados das eleições.
- Hoje o BJP está ansioso. Sua coalizão está se separando e eles estão buscando novos parceiros - disse Sonia Gandhi, vestida em um sari creme e castanho, a milhares de simpatizantes reunidos debaixo do calor sufocante da capital indiana no sábado.
Gandhi, em seu último estágio da campanha, acusou o BJP de alvejar as minorias religiosas, de corrupção desenfreada durante seu governo de cinco anos e de fazer milhares de desempregados ao privatizar companhias estatais.
Enquanto isso, o líder da campanha do BJP Narendra Modi usou toda oportunidade para atacar a origem estrangeira de Gandhi, a viúva italiana do premiê assassinado Rajiv Gandhi. Falando em um comício no Estado de Tamil Nadu, no sul do país, onde Rajiv Gandhi foi assassinado, Sonia Gandhi respondeu às críticas dizendo estar pronta para sofrer o mesmo destino de seu marido e de sua sogra, Indira Gandhi, que também foi assassinada.
As últimas pesquisas da NDTV e do jornal Indian Express previam que o BJP e seus aliados conseguiriam apenas 67 das 182 cadeiras em disputa na rodada final de votações em 16 Estados na segunda-feira.
Isso os deixaria com entre 240 e 260 cadeiras na Câmara Baixa do Parlamento, que tem 545 cadeiras. Um pouco menos do que a maioria, disse a pesquisa, e bem abaixo do número de cadeiras no último Parlamento.