Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026

Clima, a grande conferência do Rio em 2012

Quinta, 09 de Dezembro de 2010 às 16:45, por: CdB

Considerada uma das maiores especialistas em preservação ambiental no Brasil, a secretária estadual de Meio Ambiente do Estado do Rio, Marilene de Oliveira Ramos Múrias dos Santos, faz a meu pedido um balanço da COP-16, a conferência mundial de clima em realização em Cancún (México) patrocinada pela ONU.

Marilene fala das perspectivas do encontro e considera que a nova grande e decisiva conferência mundial de clima é a programada para 2012 no Rio. Ex-dirigente da Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (SERLA) do Rio, Marilene tem vasta experiência acadêmica. Doutora em Engenharia Ambiental pela Coppe/UFRJ ela é formada, também, em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Especialista em Gestão de Recursos Hídricos e Meio Ambiente, atuou na formulação do Sistema de Gestão de Recursos Hídricos do Brasil, planejamento de bacias hidrográficas e ambiental e reformulação do setor de saneamento.

Acompanhe abaixo minha conversa com Marilene:

O que podemos esperar da COP-16?
Marilena Ramos:
Na realidade, não havia grandes expectativas de que a COP-16 conseguisse chegar ao acordo que não foi conquistado durante a COP-15 (Copenhague), no ano passado. A avaliação geral é que teremos pequenos avanços, importantes, porém, ainda pequenos. A tendência é que nem em 2011, os grandes avanços aconteçam. A expectativa por eles será mesmo em 2012, no encontro a ser realizado no Rio. Naquele ano o Protocolo de Kyoto se extingue e todos os países estarão livres para firmar um novo tratado. Essas duas COPs, portanto, serão um espaço de preparação para estes avanços maiores.

Mas há a discussão de pontos importantes agora que as negociações começaram efetivamente em Cancún?
Marilena Ramos: Sim, claro. Por exemplo, a proposta levantada pela Índia de monitoramento internacional de todos os países, apesar da discordância de alguns, como a China. Outro avanço esperado é na questão do fundo de adaptação, na discussão sobre se ele ficará no Banco Mundial, na Convenção de Mudanças Climáticas...É uma discussão de grande importância para os países pobres e em torno da qual não há resistências. Mesmo porque o Banco Mundial já tem entre suas atribuições ajudar os países pobres. Então há nisso vantagens e desvantagens que estão sendo discutidas.

O que favorece o Brasil nesta COP-16, que benefícios ela trará ao nosso país?
Marilena Ramos: 
Por exemplo, na questão do LAC (programa de redução e compensação do desmatamento), a discussão sobre a compensação pelos desmatamentos evitados. Para nós, é de especial interesse, porque na redução do desmatamento é onde nós vamos conseguir cumprir nossas metas. Além disso há toda uma definição para saber o que entra ou não no LAC.

E como será a adoção do LAC?
Marilena Ramos:
A tendência é que ele seja implementado em três fases e que os demais países que como nós, possuem florestas implementem mecanismos que já temos para combater o desmatamento. Isso é muito importante, por exemplo, porque temos a tecnologia e poderemos até exportá-la. Já em termos de recursos financeiros, a proposta é nas fases posteriores, de compensação e comercialização. Por isso repito, não podemos minimizar essas discussões. A COP-16 e a próxima no ano que vem, serão preparatórias para firmarmos um grande acordo em 2012, no Rio.

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