Clérigos e líderes tribais do Iêmen pedem renúncia de presidente
Por Mohammed Ghobari
SANAA (Reuters) - Clérigos e líderes tribais do Iêmen se uniram à oposição nesta sexta-feira, pedindo a renúncia imediata do presidente Ali Abdullah Saleh e deixando dúvidas sobre o destino dos esforços do Golfo Árabe na mediação da crise.
Os ministros de Relações Exteriores do Golfo, em uma tentativa de diminuir a ameaça que a instabilidade no Iêmen poderia trazer à região, convidaram Saleh e seus opositores para negociações sobre a transferência de poder, buscando encerrar um impasse político que corre o risco de se tornar violento.
Mas os partidos da oposição rejeitaram na quinta-feira a oferta de participar das negociações em Riad, capital da Arábia Saudita, sobre a transferência de poder no país e estabeleceram um prazo de duas semanas para a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh.
"Renovamos nossa ênfase sobre a necessidade de acelerar o processo da saída de (Saleh) dentro de duas semanas. Portanto não iremos a Riad", afirmou Mohammed al-Mutawakkil, um proeminente líder da oposição iemenita.
Ele fez a declaração depois que a delegação da oposição se reuniu com embaixadores do Golfo em Sanaa, capital do Iêmen, para buscar esclarecimentos sobre quando Saleh deixaria o cargo.
Em comunicado, os clérigos e líderes tribais disseram que Saleh deve renunciar imediatamente, e exigiram "a demissão de todos os seus parentes no âmbito militar e de segurança do Estado".
Segundo fontes diplomáticas, as negociações das últimas semanas para resolver a crise estão em um impasse por conta do desejo de Saleh de obter imunidade jurídica para ele e sua família.
A crise no Iêmen começou em fevereiro quando manifestantes montaram acampamento em Sanaa, pedindo reformas políticas.
(Reportagem de Mohammed Ghobari)
Reuters