O clérigo radical xiita Moqtada Sadr disse, nesta quarta-feira, que está congelando as atividades da milícia Exército Mehdi por até seis meses para reorganizá-la. Ele também pediu que todos os escritórios da milícia cooperem com as forças de segurança e exerçam o "auto-controle".
Especialistas avaliam que a medida é uma tentativa de Moqtada Sadr de reconquistar o controle sobre sua milícia, que está dividida. A ordem foi lida por um assessor de Sadr em uma entrevista coletiva para a imprensa em Karbala, onde conflitos na terça-feira deixaram mais de 50 mortos.
A polícia culpou o Exército Mehdi pela violência. A milícia negou qualquer envolvimento. Um toque de recolher foi decretado na cidade.
- Declaramos o congelamento do Exército Mehdi, sem exceção, para reabilitá-la de forma a resguardar sua imagem ideológica dentro de um período máximo de seis meses, começando a partir do dia em que este anúncio é decretado - disse o assessor do clérigo, o xeque Hazim al-Araji.Em Najam, outro porta-voz do grupo disse que a medida inclui "suspender o uso de armas contra ocupadores".
Em abril deste ano, o departamento de Defesa dos Estados Unidos descreveu o Exército Mehdi como a maior ameaça à segurança do Iraque, na frente da Al-Qaeda iraquiana. Nos últimos meses, a milícia dividiu-se em facções autônomas. Algumas delas, segundo os Estados Unidos, são armadas e treinadas pelo Irã.
O Exército Mehdi foi criado por Sadr no verão de 2003 para proteger autoridades religiosas xiitas na cidade de Najaf. A milícia fez forte oposição à coalizão liderada pelos Estados Unidos e participou de diversos levantes contra as forças de segurança em abril e agosto de 2004. O Exército Mehdi tornou-se uma das maiores forças armadas em Bagdá e no sul do Iraque, com cerca de 60 mil integrantes, segundo um relatório do grupo Iraq Survey Group, de dezembro de 2006.