Rio de Janeiro, 10 de Abril de 2026

Clérigo condenado por terrorismo é libertado na Indonésia

Quarta, 14 de Junho de 2006 às 07:28, por: CdB

O clérigo radical Abu Bakar Bashir saiu de uma prisão indonésia, nesta quarta-feira, depois de cumprir a pena pelo envolvimento nos atentados de Bali em 2002.

Ao deixar o presídio, Bashir convocou as pessoas que o recebiam com festa na rua a juntar forças para disseminar a lei islâmica.

O premiê da Austrália, John Howard, disse que milhões de cidadãos ficariam extremamente desapontados com a libertação do clérigo. O porta-voz de uma embaixada norte-americana afirmou haver motivos para preocupação.

- Vamos fortalecer a irmandade islâmica. Fortaleceremos a nossa unidade com um objetivo -- a sharia (lei islâmica) - afirmou o clérigo, usando seu tradicional quepe branco e o xale vermelho e branco quadriculado.

Ele disse que a Indonésia, o país muçulmano mais populoso do mundo, e outras nações, que "têm permanecido na escuridão", podem ser salvas se aderirem aos preceitos islâmicos.
Bashir, cercado por simpatizantes que gritavam "Allahu Akbar" (Deus é o maior), entrou em um furgão preto para uma viagem de 12 horas até a escola islâmica Al-Mukmin, que ajudou a fundar e que fica na cidade de Solo (a 480 quilômetros de Jacarta).

Várias pessoas formadas nessa escola estão presas devido a seu suposto envolvimento com o terrorismo. O Grupo Crise Internacional chamou o estabelecimento de uma "verdadeira universidade" para militantes.

Considerado pelo Ocidente o líder espiritual do grupo Jemaah Islamiah (JI), que possui ligações com a Al Qaeda, o clérigo foi condenado por participar da conspiração que resultou nos atentados de Bali em 2002, nos quais morreram 202 pessoas, entre elas muitos turistas australianos.

Na Austrália, Howard afirmou ao Parlamento:

- Eu desejo que eles (os políticos da Indonésia) ouçam de mim, em nome do governo, o quão desapontados, o quão frustrados ficarão milhões de australianos com a libertação de Bashir - afirmou Howard aoParlamento, na Austrália.

Brian Deegan, que perdeu um filho nos atentados, afirmou ao canal de TV Sky:

- Abu Bashir é para nós o que Osama bin Laden é para os norte-americanos - afirmou Brian Deegan, que perdeu um filho nos atentados.

- Ficamos extremamente desapontados com o fato de uma pessoa condenada por uma 'conspiração sinistra' ter recebido uma pena de prisão tão curta - disse o porta-voz da Embaixada dos EUA em Jacarta, Max Kwak.

<b>DENTRO DA LEI</b>

Autoridades indonésias afirmaram que a pena de prisão e a libertação de Bashir haviam sido decididas pela justiça.

- Se a justiça impôs a pena adequada a Bashir, não podemos interferir - afirmou Primo Alui Joelianto, diretor-geral do Ministério de Relações Exteriores da Indonésia para os assuntos relacionados com o Pacífico asiático e a África.

Andi Mallarangeng, porta-voz da Presidência indonésia, afirmou que a libertação de Bashir não significava que o país havia relaxado na luta contra o terrorismo.

Alguns analistas afirmam que militantes poderiam usar esse momento para retomar a Jemaah Islamiah, que, segundo a polícia, tornou-se um grupo fragmentado, cujas facções operam de forma independente.

O clérigo de 67 anos, que chamou Bin Laden (líder da Al Qaeda) de um verdadeiro guerreiro islâmico, negou ter cometido qualquer crime e diz que a Jemaah Islamiah não existe.

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