A mídia estatal chinesa anunciou na sexta-feira que, a partir do próximo ano, os cinéfilos chineses terão mais escolhas à sua disposição, graças a um novo sistema de classificação de filmes que deve autorizar mais sexo e violência e aumentar a parcela de filmes estrangeiros exibidos no país.
Até agora, a ausência de um sistema de classificação deixava os censores chineses livres para excluir de filmes nacionais ou estrangeiros cenas de nudez ou outras consideradas ofensivas ou politicamente incorretas. Assim, os filmes eram considerados "apropriados para todas as idades."
Tong Gang, chefe do departamento de cinema da Administração Estatal de Rádio, Cinema e Televisão, confirmou, segundo o jornal China Daily, que o sistema de classificação será estabelecido no próximo ano.
Alguns críticos expressaram o temor de que o sistema possa levar o país a exibir mais filmes eróticos, "afetando a ética e a integridade moral" da sociedade chinesa, informou o jornal.
Tong rejeitou essa possibilidade.
"Quero deixar claro que não pretendemos copiar cegamente os sistemas ocidentais de classificação de filmes", disse ele, segundo o jornal.
Alguns filmes chineses, especialmente os que retratam o Partido Comunista ou a história chinesa recente sob ótica negativa, são proibidos.
A maioria das grandes produções de Hollywood é aprovada com cortes. Pouco a pouco, a China vem autorizando a entrada de mais filmes em seu mercado, como parte do acordo que assinou em 2001 para ingressar na Organização Mundial do Comércio.
Entretanto, com cópias piratas em DVD, sem cortes, dos lançamentos internacionais mais recentes podendo ser compradas facilmente por US$ 1, o impacto da iniciativa oficial sobre as bilheterias é incerto.
Nos últimos anos a China tem importado anualmente cerca de 50 filmes, metade dos quais dos Estados Unidos. Em 2005, esse número vai aumentar, segundo a agência de notícias Xinhua, que, entretanto, não especificou números.
De acordo com a Xinhua, Tong afirmou que sua administração exige que os cinemas dediquem pelo menos dois terços de seu tempo anual de exibição a filmes chineses, para proteger o cinema nacional da competição externa.
Essa política limitava as importações, já que muitos cinemas chineses têm apenas uma tela. Mas com a abertura de cinemas de múltiplas salas em todo o país, já há espaço para exibir mais filmes.