Rio de Janeiro, 23 de Outubro de 2026

Classe média aumenta em velocidade recorde no país

Terça, 05 de Agosto de 2008 às 10:40, por: CdB

O Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPS/IBRE/FGV) divulgou, nesta terça-feira, a nova pesquisa sobre miséria, classe média e mobilidade social, usando dados brasileiros recentes, até meados de 2008. O estudo mostra que o percentual de famílias pobres caiu de 35% para 24,1% da população nas seis maiores regiões metropolitanas do país entre 2003 e 2008. A pesquisa levou em conta, principalmente, os dados obtidos nas seis maiores metrópoles brasileiras e revela recuperação da chamada crise de desemprego metropolitano. A pesquisa também enfatiza o desempenho social das grandes cidades tomadas isoladamente.

Além de atualizar o debate com indicadores de miséria, desigualdade e renda per capita para 2007 e 2008, a pesquisa define, quantifica e detalha o protagonismo econômico da nova classe média brasileira. A volta da carteira de trabalho suarge como o elemento mais representativo de ascensão deste grupo social. A pesquisa constrói indicadores de mobilidade a partir da possibilidade de acompanhar as mesmas famílias ao longo do tempo. "Em particular, além de quantificar a evolução agregada dos estratos sociais (miseráveis (E), remediados (D), Classe Média (C) e Elite (A e B)), quantificamos as transições para fora e para dentro destes segmentos", afirma o documento.

Em termos mais gerais, os dados apontam a continuidade da queda da miséria e a expansão da chamada classe média observada depois do fim da recessão de 2003. O ritmo de redução da desigualdade observado desde 2001, não dá sinais de arrefecimento sendo comparável em magnitude absoluta a da famosa concentração de renda ocorrida nos anos 60, época do milagre econômico brasileiro.

"Já o crescimento da renda média mantém o ritmo dos anos anteriores resultado do período anterior apesar da desaceleração observada em países centrais, e dos EUA em particular. Em suma, o bolo continua crescendo com mais fermento nas classes mais pobres há mais de cinco anos, combinação inédita na história estatisticamente documentada brasileira", afirma o estudo.

Coordenado pela pesquisador Marcelo Cortes Neri, o estudo mostra uma redução de quase um terço no percentual de pobres. O levantamento considera como pobre famílias com renda mensal de até meio salário mínimo (R$ 207,50). Já o percentual de indigentes (renda de até R$ 103,75) caiu pela metade no mesmo período, de 13,7% para 6,6%.

Em números absolutos, as duas regiões metropolitanas que registraram as maiores quedas na pobreza foram São Paulo e Rio, com redução de 1,15 milhão e 571 mil no número de pessoas pobres. Além dessas três regiões, entraram na pesquisa Porto Alegre, Recife e Salvador.

A pesquisa do Ipea também mostra que, nesse mesmo período, o crescimento da economia beneficiou também os mais ricos (indivíduo pertencente a famílias cuja renda mensal é igual ou superior a 40 salários mínimos, ou R$ 16,6 mil). Em termos percentuais, os ricos passaram de 0,8% da população em 2003 para 1% em 2008. Em números absolutos, cresceu de 362 mil para 476,5 mil.

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