A Cisjordânia terá, a partir de quinta-feira, seu primeiro festival internacional de cinema, cujos organizadores esperam incentivar os palestinos a fazer filmes sobre a vida e o amor, deixando um pouco de lado o tema do eterno conflito com Israel.
- Documentar a luta é importante. Estamos sofrendo. Mas acho que nós, palestinos, estamos cansados de histórias de conflito, repletas de mensagens políticas. Isso não é cinema, é propaganda política-, disse na quarta-feira Adam Zuabi, o diretor do festival.
Zuabi, que reside parte do tempo em Roma, disse que faz parte de uma nação de contadores de histórias, mas que muito pouco da sociedade e da cultura palestinas chegam às telas mundiais.
Os palestinos, disse, precisam criar filmes que divirtam e que falem do amor e de questões de família, apesar da realidade do domínio israelense sobre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia.
- Hoje em dia todos nossos filmes tratam de política e da luta palestino-israelense. Estamos sob ocupação, sim. Mas a cultura palestina já existia antes de 1948, e acho que existe espaço para criarmos filmes sobre nós mesmos, como seres humanos-, comentou Zuabi.
- Nossa idéia é desenvolver os talentos palestinos jovens e nos inserir na cadeia cinematográfica que dá a volta ao mundo. Do escurinho do cinema realmente podemos aprender a criar laços com outras sociedades.
A cidade de Ramallah, vista como o centro comercial e cultural da Cisjordânia, é única pela maneira como sua população vem mantendo um modo de vida relativamente normal, que inclui uma vida noturna exuberante, apesar das incursões e dos bloqueios do Exército israelense.
- Ramallah adotou sua maneira própria de desafiar a ocupação. Ela vem resistindo através da abertura de novos restaurantes, centros culturais e bares para jovens. Tudo isso faz as pessoas serem mais abertas, mais livres, as leva a distanciar-se do extremismo e do fanatismo -, disse o ex-ministro da Cultura Yasser Abed Rabbo.
O festival de cinema, com seis dias de duração, será aberto com "Diários de Motocicleta", dirigido pelo brasileiro Walter Salles, e continuará com filmes da Cisjordânia e Faixa de Gaza, México, Irã, Tunísia, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Itália, França e Rússia.
A maior parte dos filmes palestinos a fazer parte do festival é formada por documentários políticos.