Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Ciro retira do baú discurso de união entre partidos antagônicos

Quinta, 25 de Março de 2010 às 11:35, por: CdB

Pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Socialista, o deputado Ciro Gomes acalenta a possibilidade da união entre os principais adversários políticos do país: PT e PSDB.

– Eu vou governar com os dois. Nós estamos prontos para fazer a estabilidade da política brasileira – apostou o pré-candidato, em conversa com jornalistas, na noite passada.

A tese dessa improvável aliança não é nova. Em 1994, foi Ciro, à época filiado ao PSDB, quem fez o convite a Luiz Inácio Lula da Silva. Oferecia uma chapa do tucano Tasso Jereissati (PSDB-CE) com o petista, naquela mesma hora rejeitada pelo hoje presidente. Na ocasião, o PT apostou na crítica ao Plano Real e chamava a política de estabilização de "truque" para vencer as eleições". Oito anos mais tarde, Lula assumia o Executivo federal mantendo todos os pilares econômicos de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso.

– Isso já é uma realidade em vários Estados – argumentou o parlamentar, citando a experiência de Minas Gerais. Lá, os dois partidos se juntaram para eleger Márcio Lacerda, do PSB de Ciro, prefeito da capital. O pacto foi abençoado por Lula à época.

Pré-candidato à sucessão nacional --mas ainda sem o apoio de sua legenda-- Ciro Gomes tenta viabilizar-se. Apesar de gostar dele, Lula não o quer na disputa. Teme que sua presença no pleito tire votos da ministra Dilma Rousseff (PT).

– Na medida em que o PSB não confirmou minha candidatura, todas as possibilidades permanecem. Só quem me tira da disputa é o PSB e minha mãe – reconheceu.

O recado é claro. Embora verbalize constantemente lealdade ao presidente da República – de quem já foi um fiel ministro –, deixa claro que sua definição não está, necessariamente, a reboque de um apelo de Lula. Ele não é o único pré-candidato a defender essa união. A senadora Marina Silva (PV-AC) chegou a afirmar recentemente que PT e PSDB cometeram nos últimos 16 anos um erro histórico ao não pactuarem juntos a governabilidade do país.

A lógica de Ciro e Marina é diminuir a dependência de partidos que hoje constituem as maiores forças do país, caso do PMDB – legenda constantemente acusada de fisiologismo, inclusive por Ciro Gomes.

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