Rio de Janeiro, 24 de Maio de 2026

Cineport estréia em Minas Gerais

Quarta, 01 de Junho de 2005 às 04:53, por: CdB

Apesar de ainda estar distante a disseminação na cultura do cinema mundial, a língua portuguesa vem dando passos largos para se firmar no mercado cinematográfico, e para confirmar a conquista desse espaço foi criado um festival de filmes somente em bom e claro português. O Cineport estréia, nesta quarta-feira, em Cataguases, Minas Gerais, e exibirá produções da Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

O evento vai até o dia 12 e abre caminhos para as produções em 35mm e digitais de países que não têm tradição internacional no mercado cinematográfico. A cidade escolhida para a primeira edição foi a mineira Cataguases, conhecida como a "terra de Humberto Mauro" - importante cineasta brasileiro que dá nome a uma das premiações do festival. Cataguases foi palco de produções do cineasta na década de 20 e tem estreita relação com o modernismo através de suas edificações, como por exemplo, a casa que abrigou o poeta Francisco Inácio Peixoto - também moderno - que foi arquitetada por Oscar Niemeyer, com jardins de Burle Marx e esculturas de Jan Zach e José Pedrosa.

O evento terá edições anuais, sendo que será realizado no Brasil a cada dois anos. Com o objetivo de promover a aproximação das culturas destes países, o Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa também inaugura um novo conceito de festival de cinema, buscando a integração nos campos da arte plástica, música, dança, teatro, literatura e gastronomia.

Em sua estréia, o Cineport vai apresentar três exposições, com a exibição de Garrincha - Estrela solitária (2005), de Milton Alencar, e de curtas-metragens de Humberto Mauro, com show de jazz da banda de Dudu Lima, além da inauguração de uma loja de produtos artesanais mineiros e um restaurante de comida típica dos países participantes.

O Troféu Humberto Mauro vai contemplar três personalidades a cada edição. Os homenageados deste ano são os cineastas Flora Gomes, da Guiné-Bissau, José Fonseca e Costa, de Portugal, e o brasileiro Nelson Pereira dos Santos. A premiação mais esperada, o Troféu Andorinha, modalidade 35mm, será responsabilidade da Confraria do Cinema presidida por Paulo Cezar Saraceni.

Os indicados para o Grande Prêmio são os angolanos O Herói, de Zezé Gamboa, e Na cidade vazia, de Maria João Canga, o português A Costa dos Murmúrios, de Margarida Cardoso, e o brasileiro Narradores de Javé, de Eliane Caffé. Na modalidade digital, o prêmio Andorinha Digital ficará a cargo de um júri de três membros reunidos na cidade mineira.

Mais uma novidade do novo festival é o Troféu Andorinha STIC, que consiste em uma premiação destinada a personalidades do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica (STIC) e que contemplou o eletricista cinematográfico Alcino Pereira da Silva, a revisora de laboratório cinematográfico Hélia Carvalho e o assistente de câmera José Assis de Araújo.

O total de 86 filmes, seis exposições, dez shows, um desfile de escola de samba, muita literatura, teatro, dança e gastronomia, além da presença de notoriedades de países dos quatro continentes vão marcar os doze primeiros dias de junho, com promessas de uma grande festa intercultural entre países de língua portuguesa.

Confira a lista dos indicados para os principais prêmios na categoria 35mm:
Melhor Filme:
Angola - O herói e Na cidade vazia.
Brasil - Narradores de Javé.
Portugal - A costa dos murmúrios.
Melhor Documentário:
Angola - O comboio da Canhoca, de Orlando Fortunato
Brasil - Glauber, o filme, de Sylvio Tendler
Portugal - Desassossego, de Catarina Mourão.
Melhor Diretor:
Angola - empate entre Zezé Gamboa (O herói) e Maria João Ganga (Na cidade vazia).
Brasil - Júlio Bressane (Filme de amor).
Portugal - Margarida Cardoso (A costa dos murmúrios).
Melhor Ator:
Angola - Oumar Makéna Diop (O herói)
Brasil - empate entre Daniel de Oliveira (Cazuza) e

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