O cinema brasileiro não ganhou nada neste Festival de Locarno na competição e nenhum prêmio paralelo ou de consolação foi atribuído aos filmes brasileiros. Talvez valha a pena uma reflexão dos produtores e responsáveis a esse respeito, pois certas experimentações brasileiras não agradaram aos críticos e ao público, consideradas decepcionantes.
Deve-se fazer essa reflexão com humildade e se reconhecer que o nível dos filmes não brasileiros apresentados em Locarno, na competição e nas diversas seções, era na maioria de boa qualidade, e que os premios concedidos são merecidos.
É importante para o bem do nosso cinema se reconhecer que a safra deste ano era inferior às dos anos passados. Bons filmes não se improvisam e exigem uma boa dose de profissionalismo.
Os prêmios merecidos
O ambicionado Leopardo de Ouro foi para uma cineasta chinesa, Xiaolu Guo, cujo filme She, a Chinesa, trata da questão da emigração, uma chinesa que emigra, depois de viver uma vida pouco acima de miserável, e se torna imigrante em Londres, onde fica grávida de um imigrante muçulmano, entregador de pizzas. Seu amante se torna fundamentalista e sob a influência de suas leituras do Corão, manda embora a chinesa, que deveria ser tão impura como a carne de porco que ela comia.
O Leopardo de Prata de melhor direção foi para o filme russo de Alexei Mizgirev, Buben Baraban, vivido na fase de transição da economia comunista planificada para a economia de mercado, na qual as pessoas lutam para sobreviver.
O premio de melhor ator foi para o grego Antonis Kafetzopoulos, na comédia Praça Academia Platonos, uma visão alegre sobre as relações dos gregos com os imigrantes albaneses, dirigida por Filippos Tsitos, um dos filmes mais apreciados pela crítica e pelo público do Festival.
A melhor atriz foi Lotte Verbeek, do filme Nada Pessoal, da cineasta polonesa Urszula Antoniak, que vive na Holanda. Ela vive a personagem de uma emigrante holandesa que vai viver pobremente na Irlanda com um eremita.