Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Cineasta Sydney Pollack esconde suas idéias atrás das aparências

Domingo, 17 de Abril de 2005 às 08:06, por: CdB

Os filmes do diretor Sydney Pollack, como "Três Dias do Condor", glorificam indivíduos atormentados que combatem um sistema opressivo, num reflexo da relação conflituosa que o diretor de 70 anos mantém com Hollywood.

Fazer filmes define sua própria existência e serve como válvula de escape dos aspectos mais sombrios de sua personalidade, disse Pollack à Reuters em entrevista.

Mas ele foi forçado a explorar esses conflitos de maneira oculta ou pouco evidente, para não desagradar a uma cultura cinematográfica americana mais voltada ao glamour do que à ideologia.

"Em função do sistema dentro do qual trabalho, tenho o hábito de tentar proteger os aspectos comerciais dos filmes que faço", disse Pollack, que está em Londres para promover seu suspense político "A Intérprete", estrelado por Nicole Kidman e Sean Penn.

"Para melhor ou para pior, me vi preso no mainstream de Hollywood, onde você faz filmes caros que, supostamente, vão ser vistos pelo máximo possível de pessoas, com grandes astros e estrelas que ganham muito dinheiro, além de custos de marketing astronômicos", disse Pollack.

"Se você fala às pessoas sobre idéias sérias, você as assusta; por isso, não costumo falar muito sobre as idéias de meus filmes."

Mas isso não significa que elas não estejam presentes.

"A Intérprete" indaga se a diplomacia constitui alternativa viável à violência. O suspense "Três Dias do Condor", que Pollack fez em 1975, fez críticas ao governo, e seu sucesso cômico de 1982 "Tootsie" examinou, de maneira subversiva, como homens e mulheres se relacionam.

A filosofia complexa subjacente aos blockbusters de Pollack é em parte fruto do fato de ele ter perdido sua mãe aos 16 anos e seu único filho em 1993, morto num acidente aéreo.

"A tragédia e a dor são uma parte muito grande da vida para mim", disse Pollack. "Sei que me sinto atraído para esse tema."

Tanto assim que ele muitas vezes precisa forçar-se a evitar ser sombrio demais. Ele busca refúgio desse clima na produção de filmes independentes como "Lances Inocentes" ("Searching for Bobby Fischer") e "Razão e Sensibilidade", com sua empresa Mirage, e na direção de trabalhos mais leves, como "Tootsie" e "Sabrina".

"Minhas duas filhas me falam disso o tempo todo. 'Não vá cair na melancolia neste filme, papai, não vá ficar sentimental'. Tenho tendência a isso, e procuro combatê-la", falou Pollack.

Mesmo assim, o diretor, cujo drama de 1985 "Entre Dois Amores" recebeu sete Oscar, incluindo os de melhor filme e melhor diretor, gosta de refletir sobre temas difíceis, fascinado pelo fato de que homens e mulheres ainda não conseguiram entender uns aos outros e as pessoas ainda não conseguiram parar de matar umas às outras.

"Acho uma loucura que estamos em 2005 e continuamos a fazer exatamente as mesmas coisas que antes. Não estamos em situação melhor do que estávamos na época da Santa Inquisição."

Nascido em Lafayette, Indiana, Pollack iniciou sua carreira em 1959 como professor de diálogos da produção dirigida por John Frankenheimer para a TV de "The Turn of the Screw". Em seguida, começou a dirigir episódios de "The Defenders", "Ben Casey" e "O Fugitivo".

Ele fez seu primeiro filme, "The Slender Thread", em 1965, sobre um estudante universitário que trabalha num centro para pessoas em crise e recebe uma ligação de uma mulher prestes a cometer suicídio.

Depois de dirigir uma série de sucessos com Robert Redford, Jane Fonda, Paul Newman e Barbra Streisand, foi Dustin Hoffman quem o impeliu para diante da câmera para representar o papel de um agente em "Tootsie". Desde então, Pollack já atuou em dezenas de papéis no cinema e na TV, incluindo um papel pequeno em "A Intérprete".

Ele disse que aceitou os trabalhos de ator principalmente para aprender com outros diretores, como Stanley Kubrick e Woody Allen.

Mas é atrás da câmera, dirigindo ou produzindo, que ele aprende sobre si mesmo. O processo é angustiante e o transforma numa pessoa mal-humorada e insegura,

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