A coprodução lusitano-brasileira, dirigida pelo cineasta português Mário Barroso e baseada num clássico da literatura de Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição, está entre os favoritos na competição internacional do Festival de Locarno.
A adaptação do romance para uma Lisboa contemporânea foi feita com sucesso e o filme impressionou pela qualidade, nada de se surpreender, pois Mário Barroso trabalhou com Manoel de Oliveira, como assistente de câmera e ator em dois filmes, com quem aprendeu o rigorismo mas sem adotar o mesmo ritmo. Ao contrário, Amor de Perdição é um filme com o mesmo ritmo dos filmes europeus.
Já houve quatro adaptações de Amor de Perdição ao cinema, uma delas do próprio Manoel de Oliveira.´Manoel de Oliveira fez uma adaptação completa do romance, diz Barroso, mas eu não queria isso e sim uma adaptação livre e moderna, mostrando a revolta de um adolescente obstinado, que o levou à autodestruição e não a história de um amor impossível´.
Barroso lembrou que, no século XVIII, no qual se desenvolve o livro de Castelo Branco, era importante a figura do patriarca da família, coisa inexistente nos dias de hoje. Seria impossível e proibir dois jovens atuais de se encontrarem e se corresponderem, porque existem os sms e os computadores.
O ator Tomás Alves é excelente no papel do jovem filho da alta burguesia lisboeta, revoltado e, no filme, a violência movida pelo ódio é mais forte que o amor. ´Na verdade, Teresa, alvo do amor de Simão aparece no filme mais como uma ficção, pois aparece rapidamente, deixando a impressão de ser apenas um pretexto para a explosão da revolta de Simão´, explica o cineasta.
A participação brasileira nessa co-produção foi apenas no nível técnico. Mário Barroso é consciente das diferenças entre o que se fala em Portugal e Brasil e, como disse, se passar no Brasil será preciso legendá-lo.