Rio de Janeiro, 14 de Maio de 2026

Cineasta Lucrecia Martel estréia em SP

Quinta, 11 de Agosto de 2005 às 11:25, por: CdB

No momento em que o cinema argentino desfruta de um merecido reconhecimento, não é fácil para um novo diretor alcançar fama pessoal. Mas no caso de Lucrecia Martel, cineasta que estreou em 2001 com o instigante <i>O pântano</i>, o prestígio foi tanto que atravessou o oceano e atraiu a atenção do poderoso diretor e produtor Pedro Almodóvar, que produziu seu segundo filme, <i>A menina santa</i>.

O trabalho, que competiu no Festival de Cannes em 2004, estréia em São Paulo na sexta-feira.
A história de <i>A menina santa</i> gira em torno de duas adolescentes, Amalia (María Alche) e Josefina (Julieta Zylberberg), que frequentam um grupo de estudos católicos. Mas seus pensamentos voltam-se sempre para o sexo.

Um dia, diante do hotel em que mora com a mãe (Mercedes Morán), Amalia é molestada na rua por um médico, o dr. Jano (Carlos Belloso). Ela não reage e ele foge na multidão. Mas os dois se reencontram dentro do hotel, onde está acontecendo um congresso para médicos.
Amalia, então, obstina-se pela idéia de que é sua missão "salvar" o médico. Ao mesmo tempo, sua mãe, que é divorciada, começa a sentir-se atraída por ele.

Sexualidade e religião estão no foco das preocupações da diretora argentina.

- Falo da religião católica porque é a minha educação. Poderia ter mencionado qualquer outra religião, pois creio que todas que imperam no Ocidente sejam impostas de maneira um pouco brutal sobre o corpo - disse Martel por telefone.

- O que na realidade me interessa é o corpo, entendido como um organismo muito complexo, do qual quase não sabemos nada e ao qual historicamente negligenciamos.

Para a diretora, aliás, medicina e religião estão muito próximas.

- Parece-me que a medicina tem o mesmo poder de abuso sobre o corpo que a religião - afirmou.

Como em <i>O pântano</i>, a ação de <i>A menina santa</i> localiza-se em torno de uma piscina, neste caso, num antigo hotel.

Ao falar neste assunto, a diretora faz uma confissão: "na verdade, tenho horror de piscinas, daquelas piscinas azuis, de água clara. Posso nadar num rio de águas claras, como o rio Paraná, o rio da Prata. Mas a idéia das piscinas me dá nojo. Porém, me agradam muitíssimo como cenário."

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