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Cigarros roubam dez anos de vida de fumantes, diz estudo

Terça, 22 de Junho de 2004 às 06:41, por: CdB

Os fumantes morrem em média dez anos mais cedo que os não fumantes, mas largar o vício, mesmo que aos 50 anos de idade, pode diminuir pela metade esse risco, revelou um estudo divulgado nesta terça-feira.

A descoberta, feita com base em dados coletados ao longo de 50 anos, mostra que se as pessoas largarem o cigarro aos 30 anos de idade podem evitar quase que por completo os riscos de morrer prematuramente.

"O consumo de cigarro reduz a expectativa de vida em cerca de dez anos", afirmou Richard Doll, da Universidade Oxford (Grã-Bretanha). Doll, de 91 anos, foi o pesquisador que descobriu a ligação entre o cigarro e o câncer.

"Está claro que o consumo de cigarro dobra as taxas de mortalidade na vida adulta -- na meia idade e na velhice. Está claro também que o abandono do hábito pode eliminar grande parte do risco", disse o cientista à Reuters.

Doll e Bradford Hill confirmaram a ligação existente entre o cigarro e o câncer de pulmão em um estudo publicado pela revista British Medical Journal em 26 de junho de 1954. Meio século depois, Doll e Richard Peto, também da Universidade Oxford, apresentam os resultados dos 50 anos de acompanhamento dos 34.439 médicos britânicos usados para a pesquisa de 1954.

"Esse estudo é uma conquista impressionante. Estudos que duram 50 anos são muito raros na medicina e é ainda mais raro termos um mesmo autor ao longo desse período", disse o editor da revista, Richard Smith.

Doll, que fumou por 19 anos antes de largar o vício, pretendia realizar inicialmente um estudo de cinco anos, mas as descobertas foram tão interessantes que o estudo se estendeu por cinco décadas.

"Achamos melhor continuar com o estudo por mais tempo para vermos se o cigarro provocava outras doenças (além de câncer de pulmão e males do coração). E ele certamente provoca", disse Doll. "Na marca dos 40 anos de acompanhamento, descobrimos cerca de 25 doenças que o cigarro parecia provocar e que a taxa de mortalidade era duas vezes maior para os fumantes habituais".

Os resultados dos 50 anos de pesquisas mostraram que entre os homens nascidos nos anos 1920 que se tornaram fumantes, dois terços morreram por causa de doenças ligadas ao tabaco.
Desde que Doll começou o estudo, há cinco anos, o tabaco já matou cerca de 100 milhões de pessoas em todo o mundo. Durante o século 21 haverá cerca de um bilhão de mortes por fumo se o padrão de fumantes atuais continuar, segundo Peto.

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