Rio de Janeiro, 04 de Maio de 2026

Cientistas relacionam má nutrição com a aids

Por Rui Martins - A pobreza e miséria com a consequente má nutrição podem ser também causas determinantes de deficiências no sistema imunitário. Esta interpretação social da quebra do sistema imunológico da dra. Catherine Henkins, diretora científica do Departamento de Informação Estratégica e Mobilização Social da UNAIDS, em entrevista exclusiva ao Correio do Brasil, pode explicar porque a África é hoje o continente com a grande maioria de vítimas no mundo. (Leia Mais)

Terça, 18 de Outubro de 2005 às 23:01, por: CdB

A pobreza e miséria com a consequente má nutrição podem ser também causas determinantes de deficiências no sistema imunitário. Esta interpretação social da quebra do sistema imunológico da dra. Catherine Henkins, diretora científica do Departamento de Informação Estratégica e Mobilização Social da UNAIDS, em entrevista exclusiva ao Correio do Brasil, pode explicar porque a África é hoje o continente com a grande maioria de vítimas no mundo.

Além de fazer uma nova leitura da aids na África, Catherine Henkins justificou as recentes e severas críticas do cientista brasileiro Paulo Teixeira às afirmações do médico Robert Gallo, cientista americano, de que a generalização da triterapia na África iria aumentar a resistência do virus, por não saberem os africanos tomar seus remédios. A cientista canadense participa do Forum do Programa Africano de Vacina contra a aids, em Iaunde, capital dos Camarões, na África, onde 240 cientistas, na maioria africanos, fazem uma avaliação dos progressos obtidos na busca de uma vacina contra a epidemia, depois de 80 testes clínicos em voluntários de diversos países.

Catherien Henkins explicou também como certas prostitutas africanas e homossexuais americanos não se infectam com a aids. No começo da pandemia, cientistas interessaram-se por essas pessoas, mas logo verificaram que elas não possuíam anticorpos, pois o vírus atingia os seus corpos mas não as células por uma questão genética nos receptores. Não se tratava, explica Henkins, de uma resposta ou defesa imunitária. O vírus circula pelo sangue dessas pessoas expostas, mas não consegue se hospedar nas células e infectá-las. Até hoje, diz ela, nenhuma pessoas infectada conseguiu se livrar do virus.

- Quem vive num continente rico e desenvolvido como a Europa com boa alimentação não tem sistema imunitário mais resistente? Não há uma relação entre pobreza, miséria e má nutrição com pessoas mais predispostas à infecção pela Aids?

- Podemos ver isso de duas maneiras. Muitas pessoas pobres e com fome trocam sexo por alimentos, é uma relação de necessidade com o sexo, que as torna mais vulneráveis ao HIV, principalmente quando ganham o dobro ou o triplo para fazerem sexo sem preservativo.O outro aspecto, o da pobreza e da miséria vem merecendo estudos para saber se existe uma correlação com quebra do sistema imunitário e infeção pela aids. É certo que a má nutrição estraga o sistema imunitário e é muito provável a existência de uma vulnerabilidade provocada diretamente e biologicamente pela pobreza - disse a drª Henkins.

- Houve laboratórios farmacêuticos que testaram remédios ou fizeram testes clínicos com prostitutas, aqui nos Camarões?

- Existem seis ou sete estudos em todo o mundo com um dos remédios usados na triterapia, bastante prometedor como proteção contra a exposição ao virus - responde a drª Catherin Henkins. 

Tomado todos os dias, esse remédio protegeria o parceiro negativo no contato com o um parceiro positivo, com problemas no uso do preservativo. Esse remédio poderia evitar a instação do virus nas células. Os testes implicam no uso de placebos para a metade dos pesquisados, para saber se há uma diferença no índice de incidência de infecções. Dois estudos, nos Camarões e no Cambodja, com prostitutas foram suspensos. Esses estudos eram feitos em pessoas de alto risco e não com pessoas normais, como nos outros testes clínicos, talvez por ser um remédio já existente e licenciado. Mas foram saltadas algumas etapas na experiência e o uso de pessoas marginalizadas acabou por tornar os estudos suspeitos.

- Como viu a atitude de Paulo Teixeira, ex-diretor de UNAIDs, criticando a argumentação do dr. Gallo, de que a triterapia na África, onde as pessoas não tomam corretamente os remédios, iria aumentar a resistência do virus?

- Antes de mais nada, Camarões tem um sistema universal de tratamento com triterapia, no qual quem não pode não precisa pagar e os outro

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