Rio de Janeiro, 10 de Abril de 2026

Cientistas querem discutir aquecimento global na reunião do G8

Quarta, 14 de Junho de 2006 às 08:03, por: CdB

Importantes cientistas, afirmaram em consenso nesta quarta-feira, que os líderes mundiais não podem permitir que a preocupação com a segurança no fornecimento de energia os afaste da promessa de adotar medidas para combater o aquecimento global.

Os planos para as mudanças climáticas acertados na cúpula do Grupo dos Oito (G8) realizada na Escócia ha um ano, correm o risco de serem retirados da agenda da próxima reunião da entidade, que acontecerá na Rússia, devido à preocupação com a segurança do fornecimento de energia, disseram os especialistas.

- Um ano depois da cúpula de Gleneagles, onde o G8 comprometeu-se em tomar medidas a respeito das mudanças climáticas, não podemos permitir que essa questão crucial seja colocada de lado. O G8 precisa mostrar que falava seriamente. Ele precisa integrar as discussões sobre o clima com as discussões a respeito da segurança no suprimento de energia  - afirmou o presidente da Sociedade Real da Grã-Bretanha, Martin Rees.

Martin Rees é um dos signatários de um comunicado de academias científicas enviado ao G8 e mais quatro países, sendo eles Brasil, China, Austrália e África do Sul.

A Grã-Bretanha  priorizou a questão do aquecimento global durante sua passagem pela Presidência do G8, em 2005,  e obteve o compromisso de alguns dos maiores poluidores promessas de que iriam agir no combate ao problema.

Mas a preocupação com o suprimento de combustíveis aumentou depois de a Rússia ter suspendido, por um curto período, em dezembro, o fornecimento de gás em meio a uma disputa com a Ucrânia, depois da crise no Iraque e do impasse nuclear com o Irã. Esses fatores contribuíram para elevar a custos nunca vistos o preço dos barris de petróleo.

Ambientalistas dizem que a  assunto foi recorrente nas discussões realizadas antes da cúpula do G8 em São Petersburgo,  que acontecerá entre os dias 15 e 17 de julho, alijando da agenda as medidas a serem tomadas depois das declarações feitas na reunião de Gleneagles a respeito das mudanças climáticas.

O presidente norte-americano, George W. Bush, que assinou a declaração de Gleneagles, mas que não ratificou o Protocolo de Kyoto (que prevê cortes na emissão de gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento da Terra), defendeu que  os EUA seja menos dependente das importações de petróleo.

Em parte como resultado da crescente preocupação com o fornecimento de energia, aumenta o interesse de vários países nas usinas nucleares e no carvão.

Ainda segundo Rees, por serem alguns dos maiores usuários de energia do mundo, os membros do G8 têm uma responsabilidade especial quando se trata de estimular uma revolução de energia limpa capaz de atuar econômica, ambiental e socialmente.

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