Uma descoberta poderá tornar muito mais baratos e biodegradáveis os transistores, componentes eletrônicos que amplificam sinais elétricos.
Uma pesquisa coordenada por dois cientistas portugueses conseguiu desenvolver o primeiro transistor tendo como base o papel.
- O custo do transistor em silício deve ser mil vezes maior do que do transistor em papel - diz Elviera Fortunato, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que, junto com Rodrigo Martins, lidera a investigação.
- Em papel, o processo ocorre à temperatura ambiente e para a bolacha de silício é necessário um processo térmico a 1.200 graus centígrados.
O transistor de papel surgiu a partir da pesquisa de novos materiais. Inicialmente, o objetivo era encontrar transistores descartáveis para uso em sensores biológicos com aplicações na medicina.
Outros usos seriam em telas de papel e etiquetas inteligentes.
- Normalmente, três a quatro anos é o período de transição do laboratório para a indústria - ela afirma.
O pedido de registro de patente já foi feito e um artigo sobre o novo transistor será publicado na revista científica Electron Device Letters de setembro.
Vantagens e desvantagens
Elvira explica que, para o transistor, coloca-se sobre o papel uma camada de óxido semicondutor - no caso, óxido de zinco.
- O papel nesse caso tem duas funções. É o isolante elétrico do transistor e também o suporte físico.
Entre as vantagens que ela aponta para o papel estão a de ser um suporte flexível para o transistor, muito mais leve e mais fino.
No silício, a camada de semicondutores tem 500 micrômetros de espessura, enquanto a camada de óxido de zinco sobre o papel tem apenas alguns nanômetros.
A principal desvantagem é ser menos resistente.
- O objetivo não é competir com o silício. Quando fazemos um teste de gravidez ou de glicemia, utilizamos uma tira de papel que funcionam com uma reação química - diz Elvira.
- Com um transistor descartável seria possível obter informações complementares a partir desses testes.