Uma equipe científica israelense anunciou na quarta-feira que descobriu uma maneira de quebrar a segurança das populares redes GSM de telefonia móvel, o que pode permitir que intrusos escutem conversas e descubram identidades dos envolvidos.
A GSM Association, que representa os fornecedores desse tipo de serviço de telefonia móvel, o mais popular do mundo, usado por 860 milhões de consumidores em 197 países entre eles o Brasil, confirmou a falha de segurança, mas disse que explorá-la seria caro e complicado.
O professor Eli Biham, do Technion Institute de Haifa, disse ter ficado chocado quando o estudante de doutorado Elad Barkan o informou ter descoberto um erro fundamental no código do GSM (Global System for Mobile communications).
"Disse a ele (Barkan) que era impossível", contou Bihan. "Disse que um erro assim básico decerto já teria sido percebido por alguém. Mas ele estava certo, e a falha existia." "Pode-se detectar uma chamada já a partir do momento em que está sendo discada, e em uma fração de segundo descobrir tudo sobre o usuário", disse Biham. "A seguir, pode-se ouvir a conversa inteira." "Usando um aparelho especial, é possível roubar chamadas e assumir a identidade de um usuário em meio a uma conversa em curso", disse ele.
Os autores do código do GSM cometeram um erro ao dar prioridade elevada à qualidade do telefonema, adotando correções para ruídos e interferência e só depois desse estágio implementando um procedimento de cifragem, disse Biham.
A GSM Association informou que as brechas de segurança do sistema GSM derivavam de seu desenvolvimento no final dos anos 80, quando o poder dos computadores era ainda limitado, mas esclareceu que essa falha só pode ser explorada por meio de tecnologia complicada e cara, e que demoraria bastante para que um invasor ganhasse acesso a um usuário individual.
"Essa técnica vai além do descrito em estudos acadêmicos anteriores, mas não é novidade ou surpresa para a comunidade GSM. A GSM Association acredita que as implicações práticas da descoberta sejam limitadas", afirmou a organização em comunicado.
O GSM responde por 72% do mercado mundial de telefonia celular digital e 70% do mercado mundial de telefonia móvel, informou a associação, acrescentando que desde julho de 2002 está disponível uma correção que elimina a vulnerabilidade do algoritmo de cifragem A5/2.
Os pesquisadores afirmam que conseguiram também superar o novo procedimento de encriptação que foi colocado em prática como resposta a ataques anteriores, afirmou Biham.
Eles enviaram uma cópia da pesquisa à GSM Association para ajudar a corrigir o problema. O método que eles desenvolveram para superar as proteções do sistema está sendo patenteado e somente poderá ser usado por autoridades governamentais, informou o cientista.
Biham e a GSM Association disseram que o problema não afeta os celulares de terceira geração, uma vez que a encriptação, mecanismos de segurança e protocolos da nova tecnologia substituíram os sistemas antigos.
A GSM Association afirmou que qualquer ataque que explore a falha exige que o invasor transmita dados distintos para se fazer passar por uma estação rádio-base GSM. Além disso, ele teria que estar fisicamente entre a pessoa que faz a chamada e a estação para interceptar a ligação.
A transmissão de dados na frequência de um operador é ilegal na maioria dos países.