Um hominídeo minúsculo que viveu há mais de 900 mil anos pode ter sido uma 'experiência da evolução que acabou não indo para a frente, disseram cientistas. O pequeno crânio, claramente pertencente a um adulto, foi encontrado no Quênia no último ano, em num local que abrigou os pré-humanos classificados como 'Homo erectus', bem maiores, disseram Richard Potts, do Smithsonian Institution, e sua equipe.
Os pesquisadores acreditam que o hominídeo, que não se sabe se era homem ou mulher, tenha morrido vítima do ataque de um leão ou de outro carnívoro. É o menor fóssil de adulto referente à época do 'Homo erectus', uma espécie de hominídeo que prevaleceu entre 500 mil e 1,7 milhão de anos atrás, afirma a equipe de Potts na revista Science.
Potts acredita que o fóssil mostra que os primeiros humanos viveram em grupos que se separaram e se diferenciaram, com encontros ocasionais em intervalos de milhares de anos. Então eles trocariam genes e se separariam de novo.
- Às vezes eles passavam um tempo isolados, talvez centenas de gerações e, portanto, desenvolviam uma combinação singular de características - disse Potts por email.
Mas alterações drásticas no clima e no meio ambiente devem tê-los obrigado a se reunir de novo, provocando a extinção de alguns desses grupos.
Potts imagina que possa ter havido várias dessas 'experiências breves' da evolução - espécies que nunca deram certo.
- Assim, eu veria a população de hominídeos de Olorgesailie como parte de uma espécie única mas altamente variável, com adultos grandes e pequenos - disse.
O fóssil foi encontrado numa área vulcânica. A equipe de Potts trabalha com fragmentos do crânio, para depreender a aparência do restante da criatura. O crânio possuía marcas de mordida.
- Muito possivelmente foi assim que esse indivíduo morreu. Ele estava andando no planalto vulcânico até a área montanhosa (um local mais seguro) e não conseguiu chegar - falou.
Também foram encontrados na área restos de ferramentas grandes.
- A área inteira era uma campina gramada, cheia de zebras e enormes babuínos que comiam grama, além de elefantes que pastavam e porcos imensos - disse Potts.
- Os hominídeos usaram muito as rochas vulcânicas para fazer as ferramentas - identificamos 14 tipos diferentes de rocha vulcânica usados em machadinhas - falou.
Vestígios do 'Homo erectus' já foram achados na África, no sul da Europa e na Ásia. Esses hominídeos fabricavam ferramentas e viviam em grupos, mas os antropólogos estão tentando descobrir se havia subespécies dentro do grupo.
- Vai ser difícil classificar o dono do pequeno crânio - disse Potts.
Cientistas descobrem hominídeo que não teria evoluído
Sexta, 02 de Julho de 2004 às 00:02, por: CdB