Rio de Janeiro, 22 de Março de 2026

Cientistas decifram genes do câncer de mama e cólon

Cientistas do Johns Hopkins Kimmel Cancer Center, dos Estados Unidos, anunciaram ter decifrado o código genético completo do câncer de mama e de cólon, o que pode abrir caminho para novos tratamentos. O mapeamento genético mostra que quase 200 genes que sofreram mutação - a maioria deles desconhecida até o presente - contribuem para o surgimento, crescimento e espalhamento dos tumores.

Segunda, 30 de Outubro de 2006 às 14:20, por: CdB

Cientistas do Johns Hopkins Kimmel Cancer Center, dos Estados Unidos, anunciaram ter decifrado o código genético completo do câncer de mama e de cólon, o que pode abrir caminho para novos tratamentos. O mapeamento genético mostra que quase 200 genes que sofreram mutação - a maioria deles desconhecida até o presente - contribuem para o surgimento, crescimento e espalhamento dos tumores.

Em artigo publicado na revista Science, os pesquisadores afirmam que a descoberta pode levar a maneiras mais eficazes para se diagnosticar o câncer em um estágio inicial, o que geralmente dá mais perspectivas de sucesso no tratamento. Além disso, ela possibilita tratamentos personalizados.

Os cientistas dizem ainda que a descoberta sugere que o câncer é mais complexo do que a comunidade científica acreditava. Os genes dos dois tipos de câncer estudados são praticamente distintos, o que sugere que cada um segue um caminho de desenvolvimento bastante diferente do outro.

Segundo os pesquisadores, cada tumor parece ter um "projeto" genético específico, o que poderia explicar por que cada câncer varia de pessoa para pessoa.

- Nenhum paciente é idêntico -, disse Victor Velculescu, um dos autores do estudo.

Agora, a equipe vai estudar como as mutações ocorrem, tanto no câncer de mama quanto no de cólon. Descobertas anteriores a respeito da genética do câncer já haviam levado à estratégias de diagnóstico e tratamento precoces. Um exemplo é a droga trastuzumabe, cujo nome comercial é Herceptin, que atinge um receptor em células do câncer de mama formado pelo gene HER2.

Para Ed Yong, do Cancer Research UK, entidade britânica de pequisa do câncer, disse que o estudo americano é "muito importante".

- A maioria dos genes identificados nesta pesquisa nunca haviam sido relacionados ao câncer antes -, afirmou.

- Esses genes podem oferecer uma base de investigação para cientistas que estão buscando novas maneiras de detectar e tratar a doença -, disse.

Ed Yong acrdita que "no futuro seja possível planejar métodos personalizados de prevenção ou tratamento, que atendam ao perfil genético de cada paciente.

- Estudos como este podem nos ajudar a atingir este objetivo -, finalizou.

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