Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Cientistas da Unicamp usam bagaço de laranja na produção de etanol

Pesquisadoras da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desenvolveram um novo processo para obter etanol a partir do bagaço da laranja. Apesar dos bons resultados técnicos conseguidos pelo estudo, o processo ainda tem um custo elevado de produção em relação ao do etanol feito a partir da cana-de-açúcar.

Sexta, 17 de Maio de 2013 às 10:42, por: CdB
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Pesquisadoras da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desenvolveram um novo processo para obter etanol a partir do bagaço da laranja
Pesquisadoras da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desenvolveram um novo processo para obter etanol a partir do bagaço da laranja. Apesar dos bons resultados técnicos conseguidos pelo estudo, o processo ainda tem um custo elevado de produção em relação ao do etanol feito a partir da cana-de-açúcar. Utilizando um microorganismo que pode causar a doença do cancro na fruta, elas conseguiram aumentar e acelerar a produção do combustível. Com uma tonelada do bagaço da laranja seco (o in natura tem três quartos de água), foi possível produzir 80,8 litros de etanol. A mesma quantidade de cana produz 85 litros. Atualmente, a fabricação de etanol a partir da laranja só é feita com os açúcares que sobram depois de retirar o suco. A quantidade, porém, é mínima, de 2,3 litros. Já o bagaço da laranja é destinado comercialmente pela indústria do suco apenas para a produção de ração para complemento da alimentação de bovinos. - Nós usamos enzimas comerciais e o microorganismo Xac (Xanthomonas axonopodis pathovar citri) e conseguimos mais eficiência do processo que vinha sendo feito antes - disse a professora Ljubica Tasic, do Instituto de Química da Unicamp. De acordo com ela, o avanço da pesquisa é importante porque o Brasil é um dos maiores produtores de laranja do mundo e o bagaço da fruta é 50% do total. "A outra metade é o suco", disse. De acordo com informações da Folha de São Paulo,  o sistema de produção é 50% mais caro que o de etanol. "O desafio a partir de agora é aperfeiçoar a técnica de forma a reduzir os custos", disse. A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) analisa o desenvolvimento do processo em planta piloto para a produção em escala industrial. A professora disse acreditar que em dois anos poderá viabilizar a fabricação de etanol. A direção da CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos) informou que toda pesquisa que possa contribuir com o setor é bem-vinda, mas disse que desconhece a produção comercial de etanol a partir do bagaço da laranja. Uma das maiores produtoras de suco de laranja do mundo, a Cutrale, por meio de sua assessoria, afirmou que não produz etanol a partir da fruta, mas que toda alternativa de desenvolvimento de pesquisa para geração de energia limpa é positiva. Já a Citrosuco e a Louis Dreyfus não se manifestaram sobre o assunto.
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