Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Cientistas brasileiros desenvolvem pesquisa para novos tratamentos do câncer

Segunda, 25 de Abril de 2005 às 07:21, por: CdB

Pesquisadores brasileiros são os pioneiros a desenvolver uma pesquisa para mapear as alterações genéticas de tumores de cânceres na cabeça e no pescoço, como o de tireóide. Este estudo pode desenvolver um diagnótico mais preciso assim como novos tratamentos de combate à doença.

Luiz Paulo Kowalski, professor livre-docente pela Faculdade de Medicina da USP e chefe do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital do Câncer AC Camargo, é um dos cientistas envolvidos no projeto. Ele já escreveu mais de 150 artigos científicos em diversas revistas médicas nacionais e internacionais , é professor honorário da University College, de Londres, e recebeu o cobiçado prêmio científico Presidential Citation, da American Head and Neck Society, no ano 2000.

- No Instituto Ludwig e no Hospital do Câncer AC Camargo estão sendo realizados vários estudos clínicos que poderão identificar marcadores específicos, permitindo o diagnóstico precoce de vários tipos de câncer. Além disso, pode-se pesquisar marcadores que permitam seu monitoramento durante e após o tratamento. Um campo importante é a identificação de alterações que predizem a resposta dos tumores aos tratamentos. Por outro lado, essa pesquisa também permite que novos alvos terapêuticos sejam identificados e pesquisados - afirma o pesquisador.

Ele afirmou que nunca havia se dado a devida importância para este tipo de pesquisa até os cientistas brasileiros começarem o estudo, quando foram identificadas mais de 200 mil seqüências genéticas em tumores dessa região. Cerca de 40 vezes mais do que havia sido descrito até então, no mundo.

A importância do estudo, segundo Luiz Paulo, é que se conseguiu mapear uma seqüência de genes, que antes só eram analisados em fragmentos limitados, o que permite identificá-los com os diferentes tipos de tumores, dando maior precisão no tratamento.

Todo o estudo foi realizado no Brasil, no estado de São Paulo, utilizando a infra-estrutura existente e com pesquisadores brasileiros. Para ele, o projeto deverá continuar localmente, sem dependência de outros países. Mas o grande desafio, avalia, é que apesar de ter pessoal especializado, há necessidade de grandes investimentos.

A meta é que este conhecimento seja usado em larga escala em testes e em novas terapias que beneficiem todos os pacientes, mas por enquanto, o tratamento ainda não tem a aplicação prática imediata.

- Cada equipe participante do estudo, trabalhando isoladamente ou em colaboração, dará continuidade a pesquisas de grupos específicos de genes, potenciais marcadores diagnósticos e prognósticos. O importante é que agora temos a bússola para guiar esses estudos. Antes do genoma, era como buscar uma agulha no palheiro - destaca Paulo Luiz Kowalski.

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