Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Cientistas admitem que estão longe da vacina contra a Aids

Segunda, 12 de Julho de 2004 às 07:43, por: CdB

Uma vacina contra a Aids ainda deve demorar anos para ser obtida, mesmo no cenário mais otimista, e os cientistas podem se ver obrigados a voltar à mesa de projetos caso falhem os esforços atuais, todos baseados em um mesmo princípio de combate à doença.

Seth Berkley, presidente e diretor executivo da Iniciativa Internacional da Vacina de Aids (Iavi), disse nesta segunda-feira que o número de vacinas em potencial testadas clinicamente dobrou desde 2000, mas que os esforços científicos continuavam inadequados.

"O mundo está avançando lentamente rumo a uma vacina, quando deveria estar dando saltos nessa direção", afirmou a repórteres durante a 15a Conferência Internacional sobre Aids. "Apenas uma vacina pode colocar fim à epidemia".

O relatório anual da Iavi sobre a situação das pesquisas - que pede a duplicação do dinheiro gasto com o desenvolvimento da vacina, para cerca de 1,3 bilhão de dólares por ano - listou mais de 30 candidatos em testes clínicos em 19 países.

Mas apenas um deles chegou à Fase 3 de testes e muitos cientistas duvidam da eficácia do produto, que combina o Alvac da Aventis com o Aidsvax da VaxGen depois do fracasso do uso do Aidsvax sozinho, no ano passado. A empresa Merck, enquanto isso, espera dar início à Fase 2b de testes de sua vacina antes do final do ano.

Nos dois casos, segundo Wayne Koff, chefe da área de pesquisas da Iavi, os pesquisadores não sabem se as vacinas funcionarão antes de 2007 ou 2008.  A Merck já avisou que seu produto não deve ser 100% eficaz.

Parte do problema é que os produtos que chegaram à fase de testes em seres humanos esforçam-se para tornar mais eficazes as células brancas chamadas linfócitos T, as chamadas células-T. Essas células atacam as células infectadas pelo HIV.

Mas não há nenhuma vacina sendo desenvolvida para estimular o organismo a atacar diretamente o vírus. Esse método, usado em muitas das vacinas tradicionais, mostrou-se de difícil aplicação para a Aids.

Tags:
Edições digital e impressa