Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Cientistas acham pista genética para vacina contra a Aids

Quarta, 08 de Dezembro de 2004 às 16:14, por: CdB

Cientistas anunciaram na quarta-feira ter identificado os principais genes envolvidos na reação do corpo ao HIV, o vírus causador da Aids, numa descoberta que pode limitar a ampla busca por uma vacina eficaz contra a doença.

A vacina é considerada o "Santo Graal" da luta contra a epidemia global de Aids, mas as tentativas de encontrá-la têm sido prejudicadas pela incrível capacidade do vírus de mutar.

"Reduzimos o escopo de quais genes em particular são importantes na determinação da consequência da infecção pelo HIV", disse Philip Goulder, do Centro de Pesquisa Parceiros pela Aids, no Hospital Geral de Massachusetts, nos EUA.

"Isso nos diz onde procurar, o que colocar na vacina, em termos abrangentes, e talvez o que precisa ser eliminado."

Ele e seus colegas concentraram-se nos genes chamados HLA-A, HLA-B e HLA-C, que produzem moléculas que se mantêm na superfície das células. Elas avisam as células-T, as "assassinas" do sistema imunológico, da produção de novos vírus numa célula infectada, para que sejam destruídos.

Os pesquisadores disseram que os genes HLA-B são os principais agentes da reação do corpo humano às infecções, incluindo as por HIV.

"O HLA-B está onde há ação", disse Goulder à Reuters. "A maioria das vacinas não leva em conta as diferenças biológicas fundamentais entre os genes HLA-A e HLA-B. Elas podem ser essenciais para o sucesso ou o fracasso de uma vacina."

Na pesquisa, publicada na revista Nature, os cientistas estudaram amostras de sangue de 375 pacientes HIV-positivo na África do Sul. Eles descobriram que a qualidade da resposta do sistema imunológico ao HIV dependia da versão que eles carregavam dos genes HLA-B, e quase não tinham nada a ver com os outros genes.

Já foram identificadas mais de 560 versões, ou alelos, do HLA-B.

"São as respostas geradas pelos genes HLA-B que são importantes", disse Goulder.

Os cientistas também descobriram que mães HIV-positivo que têm uma versão mais protetora do HLA-B tinham mais propensão a sobreviver e menos chances de transmitir o vírus aos filhos.

"Esse estudo identifica o contexto genético onde acontece a luta entre o HIV e a reação do sistema imunológico humano", disse Goulder.

"As conclusões vão ajudar a compreender exatamente como o sistema imunológico pode vencer o HIV ou fracassar, um pré-requisito para uma abordagem racional na direção de uma vacina anti-HIV."

Cerca de 38 milhões de pessoas no mundo, incluindo 25 milhões na África subsaariana, têm o HIV ou a Aids, segundo o relatório mais recente da Unaids, programa da ONU que cuida do assunto.

Os cientistas acreditam que até uma vacina de eficácia parcial teria um impacto importante na redução das infecções.

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