No fim de semana, foram contabilizados pelo menos nove focos de incêndio na cidade, o maior deles na Lagoa. Relatos e imagens mostram que o incêndio no Morro dos Cabritos e no Parque da Catacumba - iniciado por volta das 22 horas de sábado - que destruiu boa parte desta área de Mata Atlântica na Zona Sul do Rio, foi mesmo provocado por um balão.
A cultura dos balões não se curvou à lei, que determina que fabricar, transportar e soltar balões é crime ambiental. Mas a realidade mostra que ninguém vai, de fato, para a cadeia. Como a pena é curta e afiançável, na maioria dos casos os condenados pagam cestas básicas ou prestam serviços comunitários. Esse ano, das 55 apreensões de balões ocorridas em São Gonçalo, Nova Iguaçu e Campo Grande, houve 13 detenções, mas ninguém foi efetivamente preso.
Segundo o coronel Mário Márcio Fernandes, comandante do Batalhão de Polícia Florestal e de Meio Ambiente (BPFMA), o número de detidos é baixo porque há dificuldade em fazer o flagrante.
Durante toda a manhã deste domingo, dois helicópteros com caçambas de água, que estavam sendo reabastecidas na Lagoa Rodrigo de Freitas, sobrevoaram a região para controlar as chamas. No total foram jogados na mata mais de 50 mil litros de água durante seis horas seguidas. Mas, no início da tarde do domingo, o fogo reapareceu no Morro dos Cabritos por causa do vento e se alastrou para a encosta no lado de Copacabana. Foi possível ver o incêndio a partir da área em cima do Túnel Velho e na Rua Toneleros, em Copacabana.
O incêndio de enormes proporções assustou moradores. Na noite de sábado, o fogo se alastrou rapidamente devido aos ventos e à vegetação ressecada. As chamas se assemelhavam à erupção de um vulcão, devido ao formato piramidal do maciço, e podiam ser vistas de praticamente todos os pontos altos da Zona Sul.
Os moradores contam que os bombeiros tiveram que usar água das piscinas de casas da Fonte da Saudade até a chegada do caminhão-pipa, que aconteceu por volta de 1h30m. De acordo com os bombeiros, a demora aconteceu em decorrência da dificuldade de acesso ao alto da Sacopã, onde carros estavam estacionados nos dois lados da rua. O coronel Pedro Machado negou que tenha havido demora. Segundo ele, 100 homens foram para o local. O oficial disse que foram registrados outros três incêndios na Grajaú-Jacarepaguá, em Realengo e no Andaraí, todos provocados supostamente por balões.
Outros focos de incêndio foram identificados em matas pela cidade. Na Tijuca, bombeiros controlaram chamas no Morro da Liberdade. Por volta das 18h50, bombeiros seguiram para o Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. Enquanto isso, homens do quartel do Campinho receberam um chamado para a Estrada do Catonho, em Sulacap. E em Água Santa, o fogo avançou pela vegetação próxima da Linha Amarela. Um princípio de incêndio em vegetação na Avenida Salvador Allende, na Barra, também foi controlado pelos bombeiros. Por volta das 20h40, novo foco de incêndio no Morro dos Cabritos voltou a assustar. Para controlar o fogo, na altura do número 852 da Rua Sacopã, foram enviadas duas viaturas dos bombeiros.