O município de Coelho Neto, no Maranhão, está incluído na rota da prostituição infantil, de acordo com o promotor de Infância e da Juventude, Douglas Assunção Nojosa. Para ele, o principal motivo para a expansão desse crime na cidade seria a instalação de uma indústria de celulose, que recebe mensalmente centenas de caminhoneiros que fazem o transporte de cargas e viabilizam a prostituição.
Nojosa disse ainda que já chegou ao seu conhecimento que as próprias adolescentes se oferecem para os motoristas, que chegam à cidade e permanecem principalmente nos fins de semana. "Fascinadas pelo dinheiro fácil, elas vão ao encontro dos caminhoneiros sem ter uma consciência de que estão destruindo o seu futuro e a possibilidade de grandes realizações em suas vidas", destaca o promotor.
Para ele, "é preciso deixar bem claro que um adulto se prostitui em troca de dinheiro ou alguma vantagem. Já as crianças ou adolescentes não optam por se prostituírem, elas são induzidas a isso, geralmente pelo comportamento delituoso de um adulto". De acordo com Nojosa, em dois anos à frente da Promotoria, já recebeu cerca de 15 denúncias de casos de prostituição infantil. Disse que uma das maiores vitórias foi a condenação a oito anos de prisão, ocorrido recentemente, da agenciadora de menores Maria Gorete da Penha, que já cumpre pena em regime fechado na penitenciária de Pedrinhas.
A prisão de Maria Gorete só foi possível devido à denuncias das mães de duas menores que haviam sido aliciadas por ela. Nojosa contou que Maria Gorete foi até o povoado de Buriti, onde convenceu duas menores, uma de 13 e outra de 14 anos de idade, a acompanhá-la para trabalhar como empregadas domésticas.