Cidade de Deus encena versão polêmica da Paixão de Cristo
Uma das histórias mais encenadas em todo o mundo, a Paixão de Cristo será encenada até este domingo na Cidade de Deus, em uma versão capaz de gerar polêmica. A comunidade carioca ainda guarda as marcas da violência.
Uma das histórias mais encenadas em todo o mundo, a Paixão de Cristo será encenada até este domingo na Cidade de Deus, em uma versão capaz de gerar polêmica. A comunidade carioca ainda guarda as marcas da violência. O espetáculo Outra Paixão, que poderá ser visto gratuitamente na Cidade de Deus, sempre às 20h, adapta passagens do Evangelho para os dias atuais, tendo como pano de fundo a criminalidade no Rio.
A montagem é da Companhia de Teatro Provocação, formada por jovens moradores de comunidades carentes da cidade. Na peça, o protagonista Messias é um jovem que tenta evangelizar dois amigos envolvidos com o tráfico de drogas. Acusado de, ao recuperar usuários, estar diminuindo o lucro da venda de drogas, Messias acaba traído e condenado à morte por Azul, policial corrupto que fornece entorpecentes aos bandidos da comunidade. Em vez de pregá-lo na cruz, Azul mata o Messias no chamado micro-ondas, nome dado nas favelas às execuções de vítimas do tráfico, quando queimadas vivas presas a pneus.
Para o diretor Adilson Dias, idealizador do espetáculo, a intenção é humanizar a história de Cristo.
– Precisamos acreditar em um Jesus mais humano, próximo de nossa realidade – argumenta.
O ator André Carvalho, intérprete do policial que executa Messias, conta que o teatro o impediu de entrar para a criminalidade.
– Perdi pai e dois irmãos para o tráfico. Mesmo indiretamente você acaba se envolvendo, mas as artes me salvaram – afirma.
Além de Jesus, personagens como Maria, Pedro e Maria Madalena também estão na história de Outra Paixão. Segundo Adilson, os ensaios duraram cinco meses e o grupo acabou optando pela encenação num Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) da Cidade de Deus, o João Batista dos Santos, na Rua Edgar Werneck, 1565.
– A ideia inicial era usar as ruas da comunidade, mas como temos réplicas de armas, achamos mais prudente um local fechado – explica.
Nos ensaios, o grupo contou com a colaboração de policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Cidade de Deus.
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