Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Cidade de Deus e O2, ajuda ou atrapalha?

Cidade de Deus e O2, ajuda ou atrapalha?

Quinta, 05 de Fevereiro de 2004 às 22:21, por: CdB

Com as quatro indicações para o Oscar, Cidade de Deus e sua produtora, a paulista 02, já entram como elementos fundamentais para a história recente do cinema brasileiro (ou retomada, como alguns preferem). Cidade conquistou o mercado mais ou menos na mesma proporção que um Central do Brasil. A estética, assumidamente estrangeira, veio de encontro com o que se pode chamar de linguagem globalizada do cinema. Por isso o enorme sucesso, as platéias têm facilidade em assistir a um filme ecumênico, pensado na cartilha hollywoodiana. Alguns vêem esse fator com desprezo, outros com admiração. Leon Cakoff, sobre Contra Todos, o novo filme da 02, recentemente apresentado em Berlim:
 
- É um divisor de águas para essa bobagem que já se disse de haver um novo cinema brasileiro, socialmente solidário mas cosmético, que cometeria sacrilégios contra a estética da fome de um velho cinema novo que nunca chegou ao público que sonhava conquistar. Agora é diferente. Filmes como este destinam se a grandes platéias, são vistos, apreciados e não perecem em nossas mentes ao término da sessão. 
 
Que é um divisor de águas, realmente deve ser. A produtora mostrou a força que outras mais "tradicionais" vindas da publicidade não conseguiram em quase uma década. A Conspiração, por exemplo, fez em sua maioria filmes cafonas com uma temática meio de bandidismo classe média. Não pegou. Embora respeitada no mercado, é impotente no que diz respeito à resposta do público (com uma ou outra exceção).
 
Os filmes do Meirelles (Domésticas e Cidade de Deus) mais parecem fascínio por coisas distantes (claro, igualando a condição alienante através da linguagem), do que pretensão de imprimir lição social. E daí partia a divergência entre Meirelles e a co-diretora de Cidade Kátia Lund. Apesar da coluna reprovar Cidade de Deus como expressão artística tipicamente nacional, é solidária a Meirelles e ao poderio da 02.
  

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