Cid Benjamin é, hoje, jornalista e professor universitário, além de secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas do Rio e conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). E ele tem história. Foi líder estudantil em 1968 e, depois, guerrilheiro urbano, preso político e banido do país, em troca do embaixador alemão, que fora seqüestrado pela guerrilha, durante a ditadura militar. De volta ao Brasil com a anistia, em 1979, foi, também, fundador e dirigente nacional e estadual do PT, partido do qual se desligou no ano passado fazendo duras críticas.
Hoje no PSOL, Cid é candidato a deputado estadual, "por insistência dos amigos Heloísa Helena, Milton Temer e Chico Alencar". Seu número é 50050. Para atender às exigências de Justiça Eleitoral, Cid foi obrigado a interromper a coluna sobre política que mantém no Correio do Brasil desde o início deste ano. Mas promete retomá-la em outubro, eleito ou não.
- Não vou fazer da atividade no parlamento uma profissão. Vou continuar jornalista a professor - diz ele, que conversou com o Correio pouco antes de sair para uma panfletagem no centro do Rio.
- Como está a campanha nas ruas?
- Ela está apenas começando e ainda vai esquentar. Mas dá para notar o desgaste em relação à atividade política. É natural. O PT, que tinha um discurso de mudança, mostrou-se igual aos partidos tradicionais: tanto na política que desenvolve, quanto nos métodos corruptos que utilizou. Aliás, ter transformado o sonho de milhões de brasileiros num verdadeiro pesadelo foi, talvez, o maior crime do PT.
- Essa decepção com o PT e com Lula respinga nos demais partidos?
- Respinga na atividade política como um todo. Nós, do PSOL, estamos mais imunes, porque a senadora Heloísa Helena é vista como alguém que se insurgiu contra as maracutaias e as traições programáticas. Como ela mesmo disse, sua expulsão do PT foi o primeiro caso na História de punição por "fidelidade partidária". Heloísa foi expulsa do PT por ter se mantido fiel ao programa e aos princípios do partido.
- E a receptividade à candidatura da Heloísa Helena?
- Em todo lugar ela tem sido recebida de forma calorosa. No Rio já está em segundo lugar nas pesquisas. Na maior parte do Sul e do Sudeste, alcançou dois dígitos. O que parecia um sonho distante - chegar ao segundo turno - hoje é um objetivo palpável. E isso é uma enorme façanha, tendo em vista que o PSOL é um partido novo, pouco conhecido e que faz uma campanha com poucos recursos econômicos. Essa onda Heloísa já começa a impulsionar todos os candidatos do PSOL. Aqui no Rio, por exemplo, sou testemunha da simpatia com que Milton Temer, nosso candidato ao governo no Rio, tem sido recebido nas ruas.
- O que representaria a reeleição de Lula?
- A manutenção da política econômica, que, por sua vez, é a continuação da que foi implementada por Fernando Henrique Cardoso. Os bancos continuariam a ter lucros recordes, enquanto não há recursos para os serviços públicos. E significaria mais quatro anos em que a maioria no Congresso seria buscada pela cooptação e pela compra de parlamentares.
- E uma vitória de Alckmin?
- Uma volta do governo de Fernando Henrique Cardoso. Quem tem saudades dos tucanos no poder? Esta semana os jornais divulgaram que a Vale do Rio Doce teve R$ 6 bilhões de lucro apenas no primeiro semestre deste ano. Pois bem, a Vale foi privatizada no governo FHC por R$ 3,2 bilhões. O PSDB tem razão ao dizer que no governo Lula a corrupção é sistêmica. Mas o que dizer das privatizações que eles fizeram? Desconfio até que, nesse triste duelo para ver quem é mais corrupto, os profissionais do PSDB ganham do PT.
- O que representaria um segundo turno entre Lula e Alckmin?
- A disputa do seis contra o meia-dúzia. Ou da Coca-Cola contra a Pepsi-Cola, se você preferir. Representaria o paraíso para os banqueiros, que nunca tinham lucrado tanto co