Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Ciclo é positivo para Lula, mas mercado vê Copom conservador

Segunda, 19 de Julho de 2004 às 08:25, por: CdB

O Comitê de Política Monetária (Copom) define, na quarta-feira, o juro básico da economia brasileira. Esse é um dos eventos importantes da semana que traz novas leituras parciais do IGP-M e IPC-Fipe de julho, o IPCA-15 fechado no mês, o balanço do Banco Central (BC) sobre as contas externas e a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre emprego no país em junho.

O mercado duvida de uma rápida retomada do corte da Selic instalada em 16% desde abril. Mas ainda não foi sepultada a perspectiva de redução da taxa este ano. A ação mais agressiva do Copom é vista até como uma carta que o governo Lula pode sacar da manga na virada para o último trimestre do ano.

O lance, se confirmado, será dado em um momento oportuno, mas não necessariamente calculado como ato político. O mercado está convencido de que o BC toma decisões monetárias amparado em uma consistente e técnica combinação de indicadores macroeconômicos domésticos e internacionais.

- O ciclo econômico conspira a favor do governo Lula e tende a garantir a travessia de um ciclo pessimista para um ciclo de prosperidade que será comemorado, sobretudo, pela queda do desemprego - afirma o analista político Christopher Garman, da Tendências Consultoria Integrada.

Além da retomada do crescimento - apontada pelos principais indicadores da indústria e do comércio - novas estatísticas de emprego justificarão maior otimismo da população com o governo.

Índice de aprovação

Christopher Garman reconhece a importância das pesquisas que confirmaram a queda de aprovação do governo Lula nos últimos meses, mas atenua o resultado.

- Mesmo em queda, o índice de aprovação deste governo (29%) está muito próximo do melhor momento do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. E, calculo, até outubro a aprovação subirá a cerca de 35%.

O analista acredita que o governo Lula não está mal avaliado e percebe que indicações mais positivas serão confirmadas rapidamente até pela peculiaridade do calendário político do segundo semestre.

- Em períodos de eleições municipais, Brasília deixa de ser fonte de notícias negativas e de implicações nacionais. O foco de atenção é dirigido aos municípios, sobretudo às grandes capitais, e ao desempenho da economia - afirma.

Empurrão do FED

Ao final do terceiro trimestre, a atividade estará mais engrenada, a oferta de crédito bancário mais consistente e a perspectiva de inflação para 2005 será mais clara e talvez comportada, principalmente se o real não sofrer maior desvalorização.

O ritmo de repasse da alta de preços do atacado para o varejo, sobretudo em decorrência de ajuste da taxa de câmbio, é uma preocupação constante.

Mas analistas não vêm observando movimentos cambiais que possam justificar pressões significativas sobre os índices de preços ao consumidor.

Na ausência de choques externos relevantes, é improvável a convivência do mercado com um dólar pesado, sobretudo se o Federal Reserve optar (de fato) pela alta lenta do juro americano sem prejudicar captações de recursos externos por mercados emergentes como o Brasil.

BC acredita em dívida cambial diluída

Pressão cambial que poderia ser gerada no mercado doméstico é considerada irrelevante por operadores.

O BC segue reduzindo o passivo cambial do governo, resgatando dívida, e não há reação à menor oferta de "hedge".

De agosto a dezembro, também conta a favor do BC a baixa concentração de vencimento de dívida cambial. São US$ 5,54 bilhões distribuídos em oito eventos.

Esse volume é pequeno se comparado, por exemplo, aos vencimentos de outros US$ 5,54 bilhões em títulos e swaps em praticamente um mês --de 19 de maio a 17 de junho.

Os especialistas em inflação consideram, portanto, a possibilidade de o IPCA rodar a taxas mensais da ordem de 0,4 por cento a partir de setembro. <

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